Conselho do MP arquiva representação contra procuradores da Lava Jato

O corregedor nacional do MP, Orlando Rochadel, considera que não há como comprovar a autenticidade

O Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) arquivou, nesta quinta-feira (27/06/2019), representação recebida no órgão para instaurar sindicância contra os procuradores da força-tarefa da Lava Jato em razão de reportagens publicadas pelo site The Intercept com supostos diálogos dos membros do MP com o então juiz federal Sergio Moro.

Segundo a decisão do corregedor nacional do Ministério Público, Orlando Rochadel Moreira, a veracidade dos elementos de prova não pode ser atestada, além de não ser possível verificar adulterações.

Moreira também entende que são elementos que justifiquem a abertura de reclamação disciplinar contra os procuradores “considerando a ausência de qualquer elemento que indique materialidade de ilícito disciplinar imputado”.

As primeiras mensagens divulgadas pelo site The Intercept, na noite do dia 9 de junho, mostraram a suposta interferência do então juiz da Operação Lava Jato, Sergio Moro, nas investigações da força-tarefa. O atual ministro da Justiça e Dallagnol teriam trocado colaborações durante esse período.

A publicação afirmou ter uma série de mensagens privadas, gravações em áudio, vídeos, fotos e documentos judiciais. Até o momento, divulgou sete partes do material.

Em conversas entre Moro e Dallagnol, o magistrado teria sugerido ao procurador que trocasse ordem de fases da Lava Jato, cobrado agilidade em novas operações, dado conselhos estratégicos e pistas informais de investigação, além de ter recomendado recursos e até notas oficiais ao Ministério Público.

Moro era coordenador da Lava Jato na época em que os supostos diálogos divulgados pelo site teriam ocorrido e responsável pela condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva à prisão devido ao processo conduzido pelo ex-juiz referente à propriedade de um apartamento triplex localizado no balneário do Guarujá, no litoral de São Paulo.

Após as primeiras publicações, ainda se apresentaram repercussões nas quais diálogos no Telegram indicam que Moro chegou a orientar como a força-tarefa deveria proceder com a imprensa para rebater as argumentações da defesa do ex-presidente. Moro era titular da 13ª Vara Federal de Curitiba e teria ajudado a construir a estratégia para a imprensa, para fazer frente ao que chamou de “showzinho da defesa” do petista.

No dia 15, o Ministério da Justiça e Segurança Pública divulgou nota à imprensa na qual afirma que o ministro Sergio Moro “não reconhece a autenticidade” nem comentará supostas mensagens de autoridades públicas colhidas “por meio de invasão criminosa de hackers”.