Com CPI da Covid, TV Senado registra recorde nos índices de audiência

YouTube da TV Senado cresceu, ao longo dos pouco mais de dois meses de CPI até agora. Últimos depoimentos tiveram mais de 500 mil views cada

atualizado 10/07/2021 8:50

Arte Metrópoles

Perto do recesso parlamentar, que deve interromper por duas semanas as reuniões públicas da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19, o canal da TV Senado, no YouTube, registra recorde nos índices de audiência. Os últimos depoimentos já tiveram números de visualizações superiores a 500 mil no YouTube — e contando.

Os altos índices apresentados na última semana mostram que o interesse tem crescido às vésperas da interrupção das atividades pelo recesso do meio de ano, que vai de 17 a 31 de julho, conforme estipulado pela Constituição. Com isso, senadores membros do colegiado, que também contabilizam crescimento considerável em seus perfis pessoais nas redes sociais, buscam manter o interesse aceso, apesar do intervalo.

A audiência da CPI, nas últimas semanas, supera a registrada no início dos trabalhos. Nas primeiras quatro oitivas, nenhum vídeo atingiu público superior a 250 mil visualizações.

Na semana em que a CPI prendeu o primeiro depoente, foram mais de 2,3 milhões de visualizações de terça a quinta-feira, uma média diária de 775 mil. O levantamento não considerou a sessão de sexta-feira (9/7), cujos dados ainda estão em processamento. Para efeitos de comparação, a média desde o começo do canal é de 43,6 mil visualizações por dia.

O pico de audiência foi registrado na oitiva dos irmãos Miranda (mais de 1,3 milhão de visualizações), prestada em uma sexta-feira (25/6), dia em que as tevês legislativas costumam contar com menos público. O depoimento é o terceiro vídeo mais popular do canal, atrás apenas do pronunciamento ao Senado da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) por ocasião do impeachment e da sessão que confirmou o afastamento dela, em agosto de 2016.

O segundo maior público da CPI foi no primeiro dia de oitiva do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello, em 19 de maio (foram 1,1 milhão de visualizações só no primeiro dia; 2 milhões, somando os dois).

A menor audiência até o momento foi na sessão em que compareceu o diretor-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antonio Barra Torres, que teve 178,5 mil visualizações.

O levantamento do Metrópoles considerou os números contabilizados até o dia 8 de julho. Ainda pode haver uma defasagem, porque a plataforma leva alguns dias para processar dados de público.

Veja os dados:

Os vídeos da CPI também figuram entre os mais assistidos do canal da TV Senado. Dos 30 vídeos mais vistos, 14 são da comissão.

As análises de cômputo de visualizações pelo YouTube são importantes porque a TV Senado não tem contrato de medição de espectadores na TV aberta.

Vale lembrar que a audiência da CPI é ainda maior que a soma do público no YouTube e na televisão, uma vez que portais e emissoras de tevê aberta e fechada estão retransmitindo as imagens. Segundo a assessoria de imprensa do Senado Federal, fazem a retransmissão autorizada: CNN, TV Band, TV Globo e TV Record. Essas cinco emissoras recebem o sinal via fibra, serviço cujo custo de implantação da infraestrutura é da própria solicitante.

Quase 1 milhão de inscritos no canal

Um relatório das medições de acessos pelo YouTube produzido pela TV Senado e cedido ao Metrópoles mostra que o canal ganhou 169,8 mil seguidores ao longo dos dois primeiros meses de CPI — de 27 de abril, data de instalação do colegiado, a 25 de junho.

O total de inscritos no YouTube da Casa legislativa já se aproxima da marca de 1 milhão: são 911 mil. O número coloca o canal à frente tanto da TV Câmara, com 642 mil inscritos, quanto da TV Justiça, com 140 mil. O número só é inferior ao da televisão do Executivo federal, a TV Brasil, que conta com 1,47 milhão de inscritos. A youtuber Viih Tube, do BBB 21, por exemplo, tem 11,1 milhões de inscritos em seu canal.

Os números do relatório do Senado mostram ainda que o total de visualizações nos dois primeiros meses de CPI foi de 34,4 milhões, com uma média de 582 mil por dia, 13 vezes maior do que a média de antes do funcionamento da comissão. O tempo médio de visualização dos vídeos (a chamada retenção) é de 20 minutos e 23 segundos.

Além disso, no período de dois meses considerado pela análise, apenas 18,8% dos espectadores eram inscritos no canal. A maior parte (81,2%) era formada por um público externo, isto é, usuários não inscritos previamente.

Perfil do público

Inscrita no YouTube cinco anos antes da TV Câmara, a TV Senado está na plataforma de vídeos desde dezembro de 2010. Ela já soma um total de 144,2 milhões de visualizações, ante 78,4 milhões da TV Câmara, segundo dados do próprio YouTube.

Ainda de acordo com o relatório da TV Senado, o perfil dos espectadores é majoritariamente masculino (70,4%) e a faixa etária está concentrada na banda de 25 a 44 anos, da seguinte forma:

Views e monetização

Os números de visualizações no YouTube são atualizados continuamente pela plataforma. A contabilização ocorre assim que o vídeo é aberto por um visitante. Não há tempo mínimo para ficar assistindo, o que significa que o view será contado mesmo que a pessoa assista por apenas poucos segundos e desista de seguir acompanhando.

O YouTube é hoje a principal rede social de monetização. O sistema de aferição de lucros, aplicado comumente a youtubers, mudou no início de 2018. Para que um canal gere dinheiro, é necessário cumprir dois requisitos:

  1. Ter, pelo menos, mil inscritos; e
  2. Ter, pelo menos, 4 mil horas de conteúdo visualizado nos últimos 12 meses.

O Metrópoles procurou a assessoria de imprensa do Senado para saber se há monetização com a plataforma e qual a destinação dos valores. A resposta foi: “A TV Senado não monetiza seu conteúdo no YouTube, portanto, não há recebimento de valores em decorrência das transmissões”.

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