Bolsonaro se diz “prova viva” da cloroquina e que remédio evitaria mortes

Presidente reconheceu falta de comprovação científica do medicamento, mas sustentou que hidroxicloroquina ajudaria a evitar 100 mortes

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou, ao anunciar a doação de mais de 400 mil comprimidos de hidroxicloroquina ao estado do Pará para o tratamento precoce de casos da Covid-19, que ele “é a prova viva” de que o remédio funciona.

O ex-capitão do Exército também argumentou que as mais de 100 mil mortes pelo vírus poderiam ter sido evitadas com o tratamento precoce com o fármaco. O chefe do Executivo participou da cerimônia de entrega da primeira etapa do “Projeto Belém Porto Futuro” na capital paraense.

“Mesmo sem comprovação científica, [o governo federal doará] mais de 400 mil unidades de cloroquina para o tratamento precoce da população. Eu sou a prova viva de que deu certo. Muitos médicos defendem esse tratamento”, destacou.

Bolsonaro costuma utilizar o argumento de que o Conselho Federal de Medicina (CFM) liberou os médicos para prescreverem o remédio, desde que haja concordância por escrito por parte do paciente.

Autoridades sanitárias, no entanto, como a Organização Mundial de Saúde (OMS), tem orientado países a suspender o uso por falta de comprovação científica de eficácia.

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“Sabemos que mais de 100 mil pessoas morreram no Brasil que, caso tivessem sido tratadas lá atrás com esse medicamento, poderiam essas vidas [mortes] terem sido evitadas. E mais ainda, aqueles que criticaram a hidroxicloroquina não apresentaram alternativas”, criticou Bolsonaro.

Antes de chegar ao local do evento, o presidente participou de um comício improvisado sem máscara, diante de algumas dezenas de apoiadores aglomerados.

Em seu discurso, Bolsonaro falou sobre repasse de recursos ao Pará, de compensação de impostos estaduais e municipais e anunciou ter pedido ao ministro da Infraestrutura, Tarcícso de Freitas, um estudo sobre a construção de ponte no Rio Xingu.