Bolsonaro cancela ida de Terra para posse de presidente argentino

A tendência agora é que o governo brasileiro não tenha representante na cerimônia marcada para a próxima terça-feira

Informação antecipada pelo jornal argentino Clarín e confirmada pelo O Globo assegura que, por decisão do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), o ministro da Cidadania, Osmar Terra, não será mais enviado para a posse de Alberto Fernández (foto em destaque) na Argentina, nesta terça-feira (10/12/2019)

No início de novembro, Bolsonaro anunciou que o Brasil não enviaria ninguém para a posse. Depois, no entanto, afirmou que Terra representaria o país. A vivência política do ministro na fronteira entre os dois países — Terra é gaúcho e foi prefeito de Santa Rosa — pesou para a escolha.

O ministro também morou em Buenos Aires na década de 1970, durante a ditadura militar brasileira. A tendência agora, no entanto, é que o governo brasileiro não tenha representante na cerimônia.

Bolsonaro e Fernández trocaram acusações mútuas durante a campanha eleitoral argentina. O presidente brasileiro — que torcia pela reeleição de Mauricio Macri, de centro-direita — ficou irritado quando o peronista postou, na noite de sua vitória, um post no Twitter felicitando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva por seu aniversário e pedindo a sua libertação.

Lula livre
Fernández já havia visitado o ex-presidente quando ele estava preso em Curitiba. “Agora, não vou à posse de um cara que se elege falando Lula Livre, não vou”, declarou Bolsonaro na ocasião, negando-se a parabenizar o eleito.

Mas nos últimos dias, o argentino fez acenos a Bolsonaro. Na semana passada, Fernández to se reuniu com o presidente da Câmara , Rodrigo Maia (DEM-RJ), em Buenos Aires, e enviou uma mensagem de “respeito” e “apreço” ao brasileiro.

Além disso, Daniel Scioli, escolhido para ser embaixador da Argentina no Brasil, disse que terá a missão de “aproximar posições” e “desestressar a relação”. Scioli, que participou da reunião com Maia, afirmou que no encontro os dois coincidiram na necessidade de “deixar os desencontros (com Bolsonaro) para trás”.

Parceiro comercial
Bolsonaro, por sua vez, disse que teria um relacionamento pragmático com a Argentina, mantendo a boa relação comercial. A Argentina é terceiro maior parceiro comercial do Brasil, depois de China e Estados Unidos, e o maior comprador de produtos industriais brasileiros, embora o comércio bilateral esteja sofrendo com a desaceleração do crescimento nos dois países.

Segundo o jornal Clarín, o presidente brasileiro teria ficado incomodado com a presença de dois deputados de esquerda na comitiva de Maia, que viajou acompanhado de Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), líder da maioria; Paulo Pimienta (PT-RS), líder do PT; Baleia Rossi (MDB-SP), líder do MDB; Elmar Nascimento (DEM-BA), líder dos Democratas; Orlando Silva (PCdoB-SP); Sérgio França Danese, embaixador brasileiro na Argentina; e Marcelo Dantas, assessor de Relações Internacionais de Maia.

Nessa sexta-feira (06/12/2019), no entanto, Bolsonaro ironizou o economista Martin Guzmán , escolhido para ser ministro da Economia. O presidente destacou em uma publicação no Facebook que Guzmán já recomendou um livro de Laura Carvalho, ressaltando que ela assessorou a última campanha presidencial do PSol.