Bolsonaro alfineta Moraes e diz que “fake news não existe”

O ministro do STF é relator de inquérito que investiga supostos ataques, por meio de informações falsas, do presidente e aliados à Corte

Ao comentar ações de magistrados do Supremo Tribunal Federal (STF), o presidente Jair Bolsonaro (PL) disse, em entrevista ao jornal Correio da Manhã, de Petrópolis, que “fake news não existe”. A entrevista foi concedida na quarta-feira (18/5) e exibida nesta sexta-feira (20/5).

“Esse inquérito da fake news… primeiro que fake news não existe”, disse o mandatário. Ele comentava o processo relatado pelo ministro Alexandre de Moraes, que investiga supostos ataques do presidente e seus aliados à Corte, por meio de informações falsas.

Ao falar sobre três ministros que “infernizam não só ele, mas o Brasil“, Bolsonaro citou Edson Fachin, Luís Roberto Barroso e Alexandre de Moraes. Segundo o presidente, o último magistrado citado é “o mais ativo”.

“Esse último é o mais ativo e se comporta como o líder de partido de esquerda e de oposição”, disse Bolsonaro.

Moraes foi responsável pela abertura de seguidas investigações contra o próprio presidente a aliados do governo, como o deputado federal Daniel Silveira (PTB-RJ), que foi condenado por 10 votos a 1, a 8 anos e 9 meses de prisão, inegibilidade e multa de R$ 200 mil.

Mais criticado por Bolsonaro dentre os magistrados da Suprema Corte, o ministro Moraes foi acionado judicialmente por Bolsonaro na última quarta-feira (18/5), por suposto abuso de autoridade.

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Daniel Ferreira/Metrópoles
A relação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, com o presidente Jair Bolsonaro é, de longe, uma das mais tumultuadas do cenário político brasileiro
No capítulo mais acalorado, no último 7 de Setembro, o presidente chamou o ministro de “canalha” e ameaçou afastá-lo do cargo
O motivo? Moraes expediu ordem de busca e apreensão contra bolsonaristas e bloqueou contas bancárias de entidades suspeitas de financiar atos contra o STF
“Sai, Alexandre de Moraes, deixe de ser canalha, deixe de oprimir o povo brasileiro”, disse o presidente diante de uma multidão
Meses antes, em fevereiro, Moraes havia mandado prender o deputado federal Daniel Silveira (PSL-RJ), aliado do presidente
Moraes também é relator de inquéritos em que o presidente e vários de seus aliados aparecem como investigados
O mais recente é o que investiga Bolsonaro por associar as vacinas contra a Covid-19 com a contração do vírus HIV, causador da aids
O inquérito motivou o início de mais um round entre os dois
“Tudo tem um limite. Eu jogo dentro das quatro linhas, e quem for jogar fora das quatro linhas não vai ter o beneplácito da lei. Se quiser jogar fora das quatro linhas, eu jogo também”, disse o presidente

 

Como justificativa, o mandatário apontou “sucessivos ataques à democracia, desrespeito à Constituição e desprezo aos direitos e garantias fundamentais”.

Bolsonaro também ressaltou, em mensagem enviada a grupos no WhatsApp, supostas irregularidades na investigação no inquérito das fake news e nas ações tomadas pelo magistrado “não previstas no Código de Processo Penal, contrariando o Marco Civil da Internet”.

Após o ministro Dias Toffoli negar prosseguimento da ação ajuizada por Bolsonaro contra  Moraes, o chefe do Executivo recorreu à Procuradoria-Geral da República (PGR). O mandatário entrou com uma representação contra Moraes com os mesmos argumentos que havia usado em ação rejeitada no STF.

O pedido é para que Moraes seja investigado por “abuso de autoridade”. Novamente, o advogado do presidente alega que o ministro teria realizado “sucessivos ataques à democracia, desrespeito à Constituição e desprezo aos direitos e garantias fundamentais”.

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