Augusto Heleno diz que “cada um é responsável pelo seu currículo”

Publicação do ministro ocorre em meio às revelações de fraudes e irregularidades no currículo do ministro da Educação

atualizado 30/06/2020 18:40

O ministro do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência, Augusto Heleno, disse nesta terça-feira (30/06), em uma rede social, que a pasta, juntamente da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), checam informações sobre quem vai ocupar cargos no governo, mas que, no caso de ministros, “cada um é responsável pelo seu currículo”.

“Aos desinformados: o GSI/ABIN examinam, sobre quem vai ocupar cargos no Governo, antecedentes criminais, contas irregulares e pendentes, histórico de processos e vedações do controle interno. No caso de Ministros, cada um é responsável pelo seu currículo”, escreveu Heleno.

Embora não faça referência direta, a publicação do ministro ocorre em meio às revelações de fraudes e irregularidades no currículo do ministro da Educação, Carlos Eduardo Decotelli (leia mais abaixo). Decotelli se reuniu na tarde desta terça com o presidente Bolsonaro para entregar sua carta de demissão.

Nessa segunda-feira (29/06), Bolsonaro chegou a compartilhar uma nota em suas redes sociais, na qual afirmou ter visto “inadequações” no currículo de Decotelli, mas que ele tinha “capacidade” para ser ministro.

Polêmicas

As polêmicas envolvendo o nome de Decotelli tiveram início na sexta-feira (26/06), um dia após ser nomeado ministro da Educação. Desde então, duas instituições de ensino questionaram qualificações que o agora ex-ministro havia listado no próprio currículo na plataforma Lattes. 

O reitor da Universidade de Rosário (Argentina), Franco Bartolacci, chegou a ir nas redes sociais questionar a inclusão do título de doutor indicado pelo ex-ministro.

Em resposta, o Ministério da Educação divulgou um certificado que atestava a conclusão de todos os créditos do doutorado de Decotelli em administração, mas que não provava que ele havia defendido a tese. Sem cumprir essa etapa, o título não pode ser concedido.

A contestação de Bartolacci levou o professor a alterar seu currículo, desta vez, fazendo a ressalva de que não houve, de fato, defesa de tese.

Nesta segunda-feira, a Universidade de Wüppertal, na Alemanha, contestou o pós-doutorado que constava na lista de qualificações de Decotelli. Segundo a instituição, ele não obteve “nenhum título” na universidade.

Além disso, também causou polêmica a constatação de que trechos da dissertação de mestrado de Decotelli continham partes semelhantes a de trabalhos publicados em anos anteriores por outros autores

Por causa das notícias sobre o caso, a Fundação Getúlio Vargas (FGV), onde ele fez o mestrado, informou que vai “apurar os fatos referentes à denúncia de plágio na dissertação do ministro Carlos Alberto Decotelli”.

Por meio de nota, a FGV afirmou nesta terça que Decotelli não faz parte do quadro de professores efetivos da instituição.

Em seu currículo, Carlos ALberto Decotelli cita 18 vezes o vínculo institucional com a FGV, entre 2001 e 2018, como “professor” da fundação.

“O Prof. Decotelli atuou apenas nos cursos de educação continuada, nos programas de formação de executivos e não como professor de qualquer das escolas da Fundação. Ele foi um professor colaborador, não tinha vínculo com a FGV. Deu aula em diversos cursos lato sensu. Foi também um dos coordenadores do MBA em Finanças na FGV e do curso ‘Gestão Financeira Corporativa””, disse a instituição.

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