Após Guedes mudar o tom, Lira diz defender solidez fiscal do país

Presidente da Câmara foi fundamental na negociação que abriu espaço no orçamento para custear o Auxílio Brasil de R$ 400 mensais

atualizado 22/10/2021 18:50

Arthur Lira_presidente da CâmaraMichel Jesus/Câmara dos Deputados

Após o ministro da Economia, Paulo Guedes, adotar um tom mais ameno sobre os gastos para custear o Auxílio Brasil, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), usou as redes sociais para enfatizar que defende a solidez fiscal do país.

Lira é do mesmo partido do ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira (PP-PI), e o principal avalista da pauta de Bolsonaro no Congresso. Sua articulação foi fundamental para que fosse incluída no relatório da PEC dos Precatórios a mudança no prazo de aferição do chamado teto de gastos, medida que abriu espaço para que o governo lance o Auxílio Brasil.

O novo programa social substituirá o Bolsa Família e deve pagar R$ 400 mensais a pessoas de baixa renda que integram o CadÚnico.

O relatório do deputado Hugo Motta (Republicanos-PB) foi redigido no Palácio do Planalto, com a participação de Nogueira, do ministro da Cidadania, João Roma, e com a equipe econômica, inclusive na presença dos quatro secretários de Guedes que pediram demissão depois da reunião.

O texto fechado na manhã de quinta-feira (21/10) foi aprovado na noite do mesmo dia na comissão especial. Lira já se comprometeu a levar a matéria ao plenário na próxima semana.

Em coletiva de imprensa nesta sexta-feira (22/10), Guedes disse que fica na pasta e que não pediu demissão após a saída de quatro secretários, insatisfeitos com o rompimento do limite fiscal.

Na ocasião, o ministro da Economia avaliou que houve “muito barulho” e “falta de comunicação” nos últimos dias entre as alas política e econômica do governo.

Ao lado do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), Guedes também apontou que a ala política, da qual os ministros Nogueira e João Roma (Cidadania) fazem parte, pressiona por um gasto maior e o consequente rompimento do teto.

“Enquanto eu estou lá fora [nos EUA], naturalmente a política começa a sacudir [pedindo dinheiro e querendo furar o teto]. E o dinheiro dos mais frágeis? E aí começa a briga entre a política e a economia. Então, o presidente, um bom presidente, traçou a linha. Vamos até R$ 400. Não são os R$ 600  que a ala política poderia querer ter, mas também precisamos arrumar um dinheiro extra”, disse o ministro.

Durante a votação do relatório na comissão, políticos que defendem o Auxílio Brasil não fizeram segredo que a decisão de incluir a mudança no cálculo do teto de gastos tinha caráter político, suplantando as orientações técnicas da equipe econômica.

O próprio relator justificou a medida com esse argumento. “As críticas fazem parte da democracia. É decisão política da Casa. Nós construímos esse texto a quatro mãos, não só na Câmara, mas também no Senado. A decisão é que nós tínhamos que fazer alguma coisa para cuidar dessas famílias que vivem em situação de vulnerabilidade social”, disse.

Motta ainda declarou que “as consequências daquilo que o mercado interpreta, cabem ao mercado”.

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