Após depoimentos de ex-ministros na CPI, Bolsonaro faz live semanal

Dando início aos trabalhos, comissão que investiga omissões do governo ouviu depoimentos de Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) realizou na noite desta quinta-feira (6/5) a transmissão semanal ao vivo nas redes sociais.

Veja como foi:

A live ocorreu na mesma semana em que a Comissão de Inquérito Parlamentar (CPI) da Covid, que apura ações e omissões do governo federal durante a pandemia, ouvir o depoimento dos ex-ministros da Saúde Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich. Os dois deixaram o governo após divergências com Bolsonaro.

Luiz Henrique Mandetta

Mandetta foi ouvido pelos senadores na terça-feira (4/5). Por mais de 7 horas, o ex-ministro disse que o presidente Jair Bolsonaro foi alertado sobre a gravidade da pandemia e que ele tinha um “assessoramento paralelo” sobre as medidas a serem adotadas.

Segundo o ex-ministro, Bolsonaro teve dúvida quando apresentado, ainda no início da pandemia, a uma estimativa de 180 mil mortos até dezembro de 2020, caso o país não adotasse medidas firmes de combate ao coronavírus. Atualmente, o Brasil acumula mais de 416 óbitos em decorrência da pandemia.

“Eu levei, expliquei. 180 mil óbitos para quem tinha na época menos de mil era um número muito difícil de você fazer uma assertiva dessa. Eu acho que ali ficou dúvida, porque tinha ex-secretários de saúde, parlamentares, que falavam publicamente: ‘Olha, essa doença não vai ter 2 mil mortos, essa doença vai durar de quatro a seis semanas'”, afirmou o ex-ministro.

No depoimento, Henrique Mandetta também afirmou que o governo federal não quis fazer uma campanha nacional contra a Covid-19 e que uma minuta de decreto presidencial propunha que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) alterasse a bula da cloroquina para que o remédio fosse recomendado contra a doença; o medicamento não tem comprovação científica contra o novo coronavírus.

Nelson Teich

Já nessa quarta-feira (5/5), foi a vez de Nelson Teich depor à comissão. Ele ficou 28 dias no comando do Ministério da Saúde, entre abril e maio do ano passado.

Em sua fala, Teich disse que deixou o cargo de ministro diante do desejo do governo de “ampliação do uso da cloroquina”, além de não ter autonomia e liderança no comando da pasta.

“O pedido específico [de demissão] foi pelo desejo [do governo] de ampliação do uso de cloroquina. Esse era o problema pontual. Mas isso refletia uma falta de autonomia e uma falta de liderança”, afirmou o ex-ministro.

Marcelo Queiroga

O atual ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, foi ouvido pela CPI nesta quinta. Na ocasião, o ministro evitou se posicionar acerca do chamado “tratamento precoce”, que utiliza medicamentos sem comprovação científica contra a Covid-19, e alegou se tratar de uma “questão técnica”.

O ministro ainda afirmou que não autorizou a distribuição do medicamento e que o tratamento precoce não é decisivo para enfrentar a pandemia.

“Há um agrupamento de colegas que defendem fortemente esse chamado tratamento precoce com esses fármacos e há outros colegas que se posicionam contrariamente, e o Ministério da Saúde quer acolher todos para que cheguemos a um consenso. Essa questão do tratamento precoce não é decisiva no enfrentamento a pandemia, o que é decisivo é justamente a vacinação e as medidas não farmacológicas”, disse Queiroga.