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Após chamar o empresário Joesley Batista de “ladrão”, o operador financeiro Lúcio Funaro voltou a colocar a reputação do dono da holding J&F em descrédito. Durante depoimento prestado na terça-feira (31/10), na 10ª Vara Federal do DF, Funaro criticou duramente Batista e afirmou: “O que Joesley fala, não se escreve”.

A declaração foi feita em resposta a um questionamento da defesa do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Ele e Funaro são réus na ação penal que apura supostas irregularidades praticadas no âmbito do Fundo de Investimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FI-FGTS), administrado pela Caixa Econômica Federal.

Na audiência, o advogado Délio Lins e Silva, que representa o ex-presidente da Câmara dos Deputados, narrou que, em um dos áudios recentemente divulgados, Joesley Batista “dá a entender” que houve algum tipo de combinação com Funaro em relação à delação premiada. “Existiu alguma coisa do tipo?”, indaga. Em tom ríspido, o operador retruca: “Não sou responsável por nenhuma palavra que o Joesley fala”.

Veja o trecho do depoimento com a afirmação de Lúcio Funaro:


“Roubou de mim”
Mais cedo, Funaro disse que Joesley teria dado calote de aproximadamente R$ 81 milhões nele, em Cunha e no ex-ministro Geddel Vieira Lima – atualmente preso. O dinheiro, no caso, se tratava de propina.

Segundo o operador financeiro, Joesley havia acordado com o grupo que pagaria 3% nas operações do banco em favor da J&F. No entanto, quando a negociação referente à compra da Alpargatas foi realizada, o empresário não efetuou o repasse. “Eu tenho a receber dele R$ 41 milhões, mais ou menos, de dinheiro lícito. Se for calcular o ilícito junto, daria mais de R$ 120 milhões”, afirmou Funaro.

Juros de dinheiro ilegal
Em outro trecho do depoimento, Funaro reclama das diferenças entre as planilhas elaboradas por ele e por Joesley e apresentadas como anexo às delações premiadas. Segundo o operador, dos R$ 144 milhões ilícitos – gerados a partir de operações nas vice-presidências jurídica e do FI-FGTS da Caixa, que constam na tabela do empresário –, R$ 30 milhões eram propinas que foram distribuídas a políticos a pedido de Eduardo Cunha.

O operador mostrou irritação quando o juiz titular da 10ª Vara, Vallisney de Souza Oliveira, disse que, conforme anotado por Joesley Batista, o empresário teria perdoado o pagamento de R$ 50 milhões por Funaro e lançado R$ 40 milhões como juros devidos pelo operador, referentes a valores de propinas adiantados por Joesley.

“Quem disse que eu concordei em pagar juros para ele? Você já pegou a planilha dele, já viu quanto tempo eu fiquei credor na planilha dele? Então olhe aí, consulte”, diz um exasperado Funaro. “Nunca combinei de pagar juros para ele, nem receber dele. Quem paga e recebe juros é banco, e eu nunca vi pagar e receber juros de dinheiro ilegal”, concluiu.

 

 

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