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O presidente da República, Michel Temer (MDB-SP), afirmou na tarde desta quinta-feira (14/06) ser “mentirosa” a tese de que ele foi cúmplice na compra do silêncio de Eduardo Cunha (MDB-RJ),  ex-presidente da Câmara dos Deputados, e do operador financeiro Lúcio Funaro. A conclusão está no relatório final da Operação Cui Bono da Polícia Federal, responsável por investigar desvios na Caixa Econômica Federal.

A partir de uma delação de Joesley Batista, dono da J&F, de maio de 2017, a PF teve acesso a uma gravação contendo uma conversa entre o empresário e o presidente da República, no Palácio do Jaburu. No diálogo, Temer, ao ouvir de Joesley sobre o empresário “estar bem”, responde: “Tem que manter isso aí, viu?” – o que é tido como uma referência à manutenção do pagamento a Cunha para que o político não se tornasse um delator do suposto esquema de corrupção.

“Isso jamais aconteceu. A gravação do diálogo com Joesley Batista foi deturpada para alcançar objetivo político. A verdade é que, na conversa grampeada, quando o empresário diz que mantinha boa relação com o deputado, o presidente o incentiva a não alterar esse quadro”, diz nota divulgada pela Presidência da República.

A nota transcreve ainda outra parte do trecho do diálogo:

Joesley – “Eu tô de bem com o Eduardo”

Michel Temer – “Tem que manter isso, viu?”

De acordo com a Secretaria de Comunicação do Planalto, a conversa não tem a ver com nenhum aval para pagamento a ninguém. “Assim, é ridículo dizer que houve obstrução à Justiça e, muito menos, relativamente a qualquer caso envolvendo integrantes da Magistratura e do Ministério Público. O presidente não tinha nomes, e nem sequer sabia que o procurador [da República] Marcelo Müller estava trabalhando para a J&F da família Batista”, diz a nota (confira a íntegra abaixo):

Nota Temer by Metropoles on Scribd

 

A Presidência acusou ainda os investigadores de tentarem incriminar Michel Temer. “Apesar da ausência absoluta de provas, investigadores insistem em retirar do contexto diálogos e frases para tentar incriminar o presidente da República. Perpetuam inquéritos baseados somente em suposições e teses, sem conexão com fatos reais”, encerra.

 

 

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