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Com críticas ao governo do presidente Michel Temer, o presidente do PSB, Carlos Siqueira, deu início ao congresso nacional da legenda nesta quinta-feira (1º/3). “Temer formou o pior governo da história do Brasil. Ele não montou um governo, montou quase uma quadrilha”, disse.

Em sua fala, Siqueira afirmou que o partido “convidou” os deputados pró-Temer a saírem da legenda por não concordar com o atual governo “conservador” e “de retrocessos”. Ele também fez críticas à reforma da Previdência e comemorou o fato de ela não ter sido aprovada.

O congresso do partido foi pensado para marcar a volta do PSB ao campo da esquerda. Um dos homenageados foi o americano Noam Chomsky, apresentado como um dos grandes críticos ao sistema capitalista.

Indefinição
Siqueira também negou que o partido esteja dividido. Sem a figura de Eduardo Campos, ex-governador de Pernambuco morto em 2014, o PSB ainda não decidiu quem vai apoiar na corrida pela Presidência neste ano.

Uma ala do partido defende aliança com o PT, outra com o PSDB e há quem trabalhe pelo lançamento de uma candidato próprio, que poderia ser o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa.

Com a desistência do vice-governador de São Paulo, Márcio França, de disputar o comando da legenda, o PSB deve reconduzir Siqueira à Presidência no próximo sábado (3). “Eu jamais disputaria com França”, afirmou o atual líder.

O vice-governador trabalha para receber o apoio do governador Geraldo Alckmin (PSDB) na eleição em São Paulo e é um defensor de que o partido apoie o nome do tucano ao Planalto.

O PSB não descarta a possibilidade de ficar neutro na disputa presidencial e dar prioridade às eleições para os governos estaduais. Siqueira defendeu, no entanto, que, diante da crise pela qual passa o país e do fato de o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) estar em segundo lugar nas pesquisas, o partido precisa se posicionar e se unir com outras legendas para impedir que esse “horror político” vença as eleições.

Em memória
A viúva de Eduardo Campos, Renata, participou do evento e se emocionou em diversos momentos. Ela foi às lágrimas quando Siqueira disse que era “impossível” substituir o líder morto.

O congresso desta quinta acontece no mesmo centro de convenções que recebeu o lançamento da candidatura de Campos, em 2014. Ao chegar ao evento, Renata afirmou que o local lhe trazia muitas lembranças. Três dos cinco filhos do casal também participaram da reunião, entre eles o caçula, Miguel, que nasceu meses antes de Eduardo Campos morrer.