O secretário nacional de Segurança Pública, general Guilherme Theophilo, foi alvo de parlamentares ligados ao presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL). Em dois ofícios encaminhados nesta quarta-feira (15/05/2019) ao ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, deputados e senadores que já serviram às polícias militares de seus estados reclamam do comportamento do general. As informações são da Folha de S. Paulo.

O líder do PSL no senado, Major Olímpio (SP), relata em um dos ofícios uma reunião que Theophilo teria realizado para afirmar que policiais militares queriam derrubar o secretário do cargo a fim de colocar um colega de farda no lugar. O nome que teria sido citado pelo general reformado como interessado em seu posto foi o do próprio Major Olímpio.

O senador nega interesse no cargo e afirma que o secretário “parece carecer de um mínimo de conhecimento de direito constitucional”, por não saber que um parlamentar não pode ser nomeado para cargo de segundo escalão.

“Sempre deixei clara a minha insatisfação pela pouca representatividade de policiais estaduais no ministério, sejam militares ou civis, uma vez que é também o Ministério da Segurança Pública do Brasil e as funções de chefia e coordenação estão sendo ocupadas, na sua maioria, por delegados da Polícia Federal e militares das Forças Armadas, e que estes últimos entendem de defesa nacional e não de segurança pública”, diz Olímpio na carta enviada a Sergio Moro.

Ainda segundo o senador, Theophilo exonerou vários PMs como “forma de retaliação”. “Confirmada esta ‘trapalhada’ jurídica e política, está demonstrado que o general carece de qualificação para o exercício de tão importante mister da Segurança Pública do Brasil e, com certeza, essa afronta gera constrangimentos políticos no Parlamento num momento que precisamos de unidade no apoio ao governo federal”, completou Olímpio.

Pelo Twitter, o senador reforçou as críticas ao secretário. Confira:

 

Ofício n° 2
O segundo documento enviado a Moro foi assinado pelos deputados Capitão Alberto Neto (PRB-AM), Guilherme Derrite (PP-SP), Sargento Fahur (PSL-RJ), Policial Katia Sastre (PR-SP) e Daniel Silveira (PSL-RJ), todos oriundos dos quadros estaduais da PM.

Eles acusam o secretário nacional de Segurança Pública de “perseguição e intimidação aos policiais militares”, mas ressalvam o apoio a Moro.

“Jamais este colegiado ou os militares estaduais na Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) fariam qualquer espécie de ‘complô’ para prejudicar a gestão do ministério”, afirmam.

Os parlamentares citam episódios nos quais PMs teriam sido desrespeitados pelo secretário, e dizem que a “insegurança” dele “se baseia principalmente em sua falta de postura, compostura, inteligência emocional e estratégia para a magnitude da secretaria [em] que se encontra”.

Nem o ministro Sergio Moro nem a comunicação do Ministério da Justiça e Segurança Pública se pronunciaram sobre os documentos remetidos pelos congressistas e acusações ao secretário nacional de Segurança Pública.