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Em um dos trechos da conversa com potencial para anular a delação da JBS, o ex-executivo da empresa Ricardo Saud fala para Joesley sobre um encontro que manteve com Eduardo da Fonte (possivelmente o deputado pelo PP de Pernambuco) e uma pessoa de nome Quintela. Ao descrever Quintela, Ricardo diz: “O que que aconteceu… O Duda Fonte, o Eduardo da Fonte, meu amigo e sócio dele aqui no bar, do ex-genro do Sílvio Santos…”. Momento em que Joesley o interrompe: “Ex?”.

E Saud continua: “É, porque ele ficou casado um mês e bateu na muié (sic), o Quintela, esse que é o… presidente agora do PP aqui…”. No entanto, não há registros de que uma das filhas de Sílvio Santos tenha sido casada com algum Quintela.

Em seguida, Saud segue narrando o motivo do encontro e conta a Joesley que perguntou aos dois se queriam ver sua planilha. “‘Vocês vão cair de costas'”, teria dito Saud a Eduardo da Fonte e ao Quintela. “Até lá tinha R$ 38 milhões, tudo oficial… [inaudível] Porque eles falaram que a Odebrecht tava pagando pra eles por fora, no paraíso fiscal”, disse no áudio entregue à PGR.

Saud continua dizendo a Joesley que teria dito para os dois que não pegassem dinheiro da Odebrecht: “Eu falei, não pega o dinheiro da Odebrecht, o Antônio Carlos veio aqui e me contou, eles estão pagando lá no exterior e o Valdemar Costa Neto tá recebendo lá no exterior. Aí eu falei: ‘Não faça isso, pode pedir tudo pra nós aqui que a gente paga tudo’”. Em seguida, Saud diz que negociou o repasse de R$ 45 milhões com os dois.

Saud ainda demonstra receio com a situação e comenta: “Eu acho que o nosso amigo Antonio Carlos vai cair”. Provavelmente, estaria se referindo a Antonio Carlos Rodrigues, presidente do PR.

Confira o áudio a partir do 24′

 

Quem é Ricardo Saud?
Ricardo Saud, 55 anos, foi contratado pela JBS em 2010 para ser diretor de relações institucionais. Na verdade, o braço direito de Joesley Batista atuava como lobista angariando apoio em assuntos de interesse da empresa. Em troca, como ele mesmo contou em sua delação, distribuía propina disfarçada em doações de campanha.

Ele foi filmado no início do ano entregando malas de dinheiro enviadas pelo empresário ao ex-deputado federal Rocha Loures (PMDB-PR). O parlamentar teria sido destacado pelo presidente Michel Temer (PMDB) para negociar com Batista temas de interesse do grupo empresarial.

Também é sócio em outras seis empresas. Em 2011, Saud foi um dos envolvidos na queda do então ministro da Agricultura Wagner Rossi, quando veio à tona a informação de que ele usava o jatinho da empresa Ourofino para fazer viagens particulares. Na época, era assessor especial do ministro e aparecia como sócio da Ethika Suplementos e Bem Estar, subsidiária do Grupo Ourofino.

 

 

 

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