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O marqueteiro João Santana voltou a dizer ao juiz federal Sérgio Moro, nesta segunda-feira (5/2) que recebia pelos serviços prestados às campanhas do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por meio de caixa dois depositado em conta no exterior pela Odebrecht. Ele ainda narrou novamente o episódio em que teria pedido a Emílio Odebrecht financiamento para evitar que se esgotassem os recursos de uma campanha feita em El Salvador, em 2009. A solicitação foi feita por telefone ao patriarca do grupo Odebrecht após indicação de Lula, em reunião no Palácio do Planalto, segundo relatou Santana.

O juiz federal Sérgio Moro ouviu o marqueteiro e sua mulher, Mônica Moura, no âmbito de ação penal em que o ex-presidente Lula responde por propinas da Odebrecht e da OAS no valor de R$ 1 milhão referentes às reformas no sítio Santa Bárbara, em Atibaia. O ex-gerente da Petrobrás, Eduardo Musa, também foi interrogado.

Segundo Santana, após deixar a sociedade com o marqueteiro Duda Mendonça, voltou somente a trabalhar com campanhas petistas em 2006, quando Lula tentava a reeleição.

Ele diz ter conversado, inicialmente, com o então ministro Antonio Palocci, sobre a possibilidade de receber por meio de doações contabilizadas junto ao Tribunal Superior Eleitoral.

“Queria repetir que quando tava em negociar o contrato, eu falei com Antonio Palocci que, tendo em vista a crise que eles tinham vivido por financiamento ilegal [Mensalão] de campanha, era fundamental que essa campanha fosse toda e não tivesse nenhum tipo de caixa dois. Ele concordou na primeira conversa, na forma diplomática de Palocci jeitoso de ser, mas, no decorrer, sentou com Mônica e começou a dizer que teria dificuldade de se cumprir tudo oficialmente, então dois meses depois ele conversa comigo e perguntou: olhe, É impossível cumprir o pagamento de forma oficial, mas tem uma forma segura de recebimento da parte não oficial”.

De acordo com Santana, Palocci sugeriu a Odebrecht e os pagamentos teriam sido tratados com o então executivo da construtora, Álvaro Novis. A contabilidade teria ficado a cargo de sua mulher, Mônica Moura, que confessou ter feito uso de uma conta na suíça, a Shelbill, para receber os repasses da empreiteira.

“Neste eleição nós já recebemos uma parte oficial e uma parte caixa 2. A Odebrecht pagou exatamente essa parte em caixa 2 nesse ano. Foi o primeiro ano que nós tivemos relacionamento com a Odebrecht. Pagou uma parte no Brasil e uma parte em conta no exterior. Daí por diante, todas as campanhas que fizemos, não só para o PT, gostaria de colocar isso sempre, todas as campanhas que fizemos tivemos este tipo de pagamento”, afirmou.

João Santana ainda afirma ter sido indicado pelo PT a prestar serviços para a campanha do então candidato à Presidência de El Salvador, Maurício Funes, que é casado com a petista Vanda Pignato. “A quantia era pequena, para os padrões nossos, por volta de R$ 2 milhões ou R$ 3 milhões”.

Santana diz que “o PT, o grupo”’ bancaria o pagamento e que estava “claro” que o pagamento seria feito por meio de “Palocci administrando o fundo com a Odebrecht”.

De acordo com o marqueteiro, ‘na reta final’ da campanha, o dinheiro esgotou. Ele narra ter se reunido, nas proximidades do fim das eleições, entre dezembro de 2008 e janeiro de 2009, com o ministro Gilberto Carvalho e com Lula no Palácio do Planalto. “Presidente Lula disse: Você vai ligar para emílio Odebrecht. Eu nunca tinha tido contato com Emílio Odebrecht”.

De acordo com Santana, durante a conversa, Emílio disse ‘já saber do problema’ e que preferia ‘tratar disso com o Italiano’, referindo-se a Antonio Palocci.

“Pelo que eu sei, chegou [dinheiro] pela Odebrecht. Teria sido formalizado pela subsidiária do Panamá, por meio do senhor Campelo”, relata.

Outro lado
“A Odebrecht está colaborando com a Justiça no Brasil e nos países em que atua. Já reconheceu os seus erros, pediu desculpas públicas, assinou um Acordo de Leniência com as autoridades do Brasil, Estados Unidos, Suíça, República Dominicana, Equador, Panamá e Guatemala, e está comprometida a combater e não tolerar a corrupção em quaisquer de suas formas, assim como qualquer conduta que possa violar a livre concorrência.”

 

 

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