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O presidente Michel Temer (PMDB-SP) decidiu incluir a “salvação” do estado do Rio de Janeiro no rol de prioridades de seu governo passada a votação da denúncia por corrupção passiva na Câmara dos Deputados, prevista para esta quarta-feira (2/8). A ideia é ampliar as ações para amenizar a crise econômica do governo fluminense e o aumento da criminalidade.

De acordo com dados do Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro, em junho deste ano, o último dado disponível, foram registradas 389 vítimas de homicídio doloso no Rio. Esse número indica um aumento de 16 vítimas em relação ao mesmo mês do ano passado, ou 4,2%. Já a necessidade de socorro financeiro ao estado é da ordem de R$ 23 bilhões.

“A situação de segurança do Rio ficou agravada por conta do colapso financeiro. Houve um esforço do presidente para que se pudesse encontrar uma solução”, afirmou o ministro da Secretaria de Governo, Antonio Imbassahy (PSDB). A estratégia teve início na semana passada após idas e vindas das autoridades em Brasília.

Como resultado, além de assinar o Decreto de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) para que as Forças Armadas ocupassem a cidade na sexta-feira passada (28/7), Temer também assinou o decreto do regime de recuperação fiscal do Rio. Na terça-feira (25), abriu o Palácio do Planalto a sambistas e pediu que o ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, fizesse engenharia para garantir os R$ 13 milhões que as escolas pedem para realizar o carnaval do ano que vem.

O governo pretende que as medidas sejam o ponto de partida de um pacote de ações para o Rio que permitam ao presidente chegar ao fim do seu governo tendo o estado como um caso de sucesso. Além disso, o Planalto não quer encerrar o mandato apenas como um presidente com legado estritamente legislativo.

Temer costuma propagandear a alta taxa de aprovação de projetos em sua gestão, em especial as reformas trabalhista e fiscal, assim considerada a aprovação de uma emenda constitucional em 2016 que estabeleceu um teto fiscal. A despeito de a reforma da Previdência ainda ser uma prioridade para a reta final de seu governo, interlocutores do presidente afirmam que falta ao seu governo algo com viés de gestor.

Nesse sentido, a situação atual do Rio cairia perfeitamente. Além de ser considerada por seus assessores a “porta de entrada” do Brasil, o estado é o segundo maior colégio eleitoral do país, com 12,2 milhões de eleitores, o que representa 8,4% do eleitorado.

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que descartou que haja componente político nas decisões do presidente, disse que as necessidades do estado são evidentes. “O Rio estava perto de uma convulsão social”, afirmou, destacando que as decisões do governo federal para o estado “são fundamentais”.

Preocupação
No primeiro fim de semana da operação com presença das Forças Armadas no Rio, cariocas da zona sul da capital do estado relataram mais sensação de segurança, mas demonstraram preocupação com os casos de violência que continuaram a ocorrer.

Na sexta-feira, houve um tiroteio na favela Santa Marta, em Botafogo, na zona sul, e, no sábado (29), um policial militar reformado foi assassinado em São Gonçalo, na região metropolitana. Em visita de última hora ao Rio, Michel Temer disse que a criminalidade caiu no fim de semana.

“Fica muito melhor quando a gente anda pelas ruas e vê a polícia ou as Forças Armadas. Até o número de pessoas nas ruas já aumentou. Agora quem tem que ficar com medo são os trombadinhas”, afirmou no domingo (30) a funcionária pública aposentada Nilceia Bianchi, de 62 anos, moradora de Copacabana, na zona sul, onde houve patrulhamento com militares.

O advogado Wilson Avelino, de 42, elogiou o aumento do patrulhamento, mas lembrou que a violência não acabou, pois a população “continua vendo os crimes pela TV ou sabendo por relatos de amigos”. “Eu moro em Copacabana, mas amigos que moram em Botafogo se assustaram com o tiroteio no (morro) Dona Marta”, relatou Avelino.

Operação
A Operação O Rio Quer Segurança e Paz começou na sexta, mobilizando 8,5 mil militares em ações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) no Rio. Desde então, militares fizeram patrulhamento a pé e blitze nas principais vias de acesso da capital na região metropolitana, na orla da zona sul, no Aterro do Flamengo (que liga a zona sul à região central) e no centro.

No sábado, o ministro da Defesa, Raul Jungmann, afirmou que já está sendo preparada a segunda etapa da operação, com ações de inteligência contra o crime organizado, principalmente o tráfico de drogas e armas, e menos presença nas ruas. “Nossa lógica não é da ostensividade, mas de golpear o crime organizado”, salientou Jungmann na ocasião.

Visita
No domingo, em rápida declaração à imprensa após reunião de avaliação com autoridades estaduais, federais e militares, Temercomemorou os primeiros resultados. “Acabei de receber um relato muito pormenorizado do que está sendo feito. E a primeira conclusão que se tem é que já diminuiu nesses dois ou três dias enormemente os índices de criminalidade, especialmente o roubo de cargas”, disse Temer que, depois, fez um sobrevoo de helicóptero sobre os pontos com atuação militar.

Procurada, a Secretaria de Estado de Segurança informou que ainda não há dados oficiais sobre a criminalidade no fim de semana. Segundo a assessoria de imprensa do Comando Militar do Leste (CML), Temer foi informado de que a percepção era de queda na criminalidade no fim de semana e de que a Polícia Rodoviária Federal registrou apenas uma tentativa, malsucedida, de roubo de carga.

No sábado, o secretário de Segurança do Rio, Roberto Sá, disse que um levantamento parcial até a última quinta-feira, antes da operação militar, já apontava para uma tendência de redução de indicadores mais violentos em julho.

 

 

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