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A corrida presidencial parece ter ganhado mais um postulante. Presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM) passou todo o ano de 2017 negando a possibilidade de concorrer ao Planalto. Mas bastou o ano começar e, em entrevista ao jornal O Globo, o deputado afirmou ver “uma avenida aberta”.

Se disputar a Presidência, será apenas a segunda vez que Rodrigo Maia tentará um cargo executivo. Em 2012, ele concorreu à prefeitura do Rio e teve 3% (95.328) dos votos válidos. A Lupa checou posicionamentos do parlamentar sobre o tema.

Ricardo Botelho/Especial para o Metrópoles

“Não vejo problema em discutir o assunto [candidatura à Presidência]”
Rodrigo Maia ao jornal O Globo, no dia 9/1/2018

Há menos de um mês, Rodrigo Maia refutou a possibilidade de ser candidato a presidente. “Agradeço muito a lembrança dos meus aliados, mas eu já disse a todos que eu sou candidato a deputado federal”, afirmou em Fortaleza (CE), durante evento do governo estadual. No mesmo dia, Maia voltou a dizer que disputaria a eleição para a Câmara. “Se conseguir renovar meu mandato de deputado, continuarei ajudando o Brasil nas grandes reformas, e também o meu estado”, declarou.

Antes da entrevista ao jornal O Globo, publicada na última terça-feira (9/1), o presidente da Câmara havia dito ao programa Canal Livre, da TV Bandeirantes, que, “no momento”, a chance de ele ser escolhido como candidato do DEM à Presidência era “zero”. A declaração foi exibida na madrugada de segunda-feira (8).

O movimento de Maia em direção ao Planalto – pelo menos para colocação de seu nome entre os postulantes ao cargo – vai de encontro aos posicionamentos mais recentes do parlamentar. No último dia 20, o deputado afirmou à GloboNews que “não nega a pretensão de disputar uma eleição presidencial”, mas 2018 talvez não seja o seu momento, destacou. “Se o meu poder político se transformar em poder eleitoral, é óbvio que eu disputaria a eleição. Eu acho que não será nessa. Mas, no momento que eu tiver chance, […] não tenho dúvidas de que eu disputaria a eleição”.

A assessoria de Rodrigo Maia informou que o deputado “não admitiu ser candidato”, mas seu nome é cogitado pelo DEM por causa da “posição que ocupa como presidente da Câmara”.

Divulgação

“O DEM está trabalhando para isso. O que não quer dizer que ele [Cesar Maia] vai aceitar [ser candidato a governador]”
Rodrigo Maia ao jornal O Globo, em 09/01/2018

Há três meses, novamente para o jornal O Globo, Rodrigo Maia era mais enfático ao defender a candidatura do pai ao governo do Rio. “O DEM terá candidato [próprio]: Cesar Maia”, declarou, no dia 4 de outubro. Cesar Maia (foto acima) é vereador pelo DEM carioca desde 2012, quando foi eleito com 44.095 votos. Quatro anos depois, com 71.468 votos, foi o terceiro vereador mais votado do município. Antes, Cesar Maia foi prefeito do Rio após vencer em três eleições: 1992, 2000 e 2004.

Procurado, Maia informou: ele e o DEM querem que Cesar Maia se candidate ao governo do Rio em 2018.

J.F.DIORIO/ESTADÃO CONTEÚDO

“Eu já respondi, já depus. […] Os processos serão arquivados”
Rodrigo Maia ao jornal O Globo, em 09/01/2018

Rodrigo Maia é alvo de dois inquéritos no Supremo Tribunal Federal originados a partir de delações de executivos da Odebrecht. Ambos ainda estão em tramitação.

Em um deles (4437), Maia, o deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA) e os senadores pelo PMDB Romero Jucá (RR), Eunício Oliveira e Renan Calheiros (AL) são investigados por supostamente terem recebido propina para facilitar a tramitação e a aprovação de medidas favoráveis à empreiteira. Em setembro do ano passado, o ministro Edson Fachin negou o pedido de Maia para separar a sua investigação da dos outros políticos. No dia 22 de novembro, o STF enviou o inquérito à Polícia Federal para “cumprimento de diligências”.

Em outro inquérito (4431), Rodrigo Maia e o pai, Cesar Maia, são investigados por receberem, no total, R$ 950 mil em propinas da Odebrecht para campanhas eleitorais.

No dia 26 de dezembro de 2017, a Folha de S. Paulo revelou a existência de um relatório da PF que apontava “caixa três” nas campanhas de Maia – a prática ilegal consistiria na doação de dinheiro de empresas para o político, a mando da Odebrecht. Desse modo, a empreiteira não aparecia como doadora da campanha, e as empresas parceiras – como a cervejaria Petrópolis, fabricante da Itaipava – se beneficiariam do esquema com a construtora.

Em nota, Rodrigo Maia alega que todas “as doações recebidas em suas campanhas respeitaram a legislação vigente” e ele supostamente prestou “todos os esclarecimentos solicitados” no curso dos inquéritos.

*Por Leandro Resende