PT, PSB, PSol e Rede fecham bloco de oposição a Bolsonaro na Câmara

Os quatro partidos esperavam a adesão do PCdoB, mas os comunistas preferiram permanecer no bloco com o PDT

Divulgação/PSBDivulgação/PSB

atualizado 31/01/2019 23:31

Os partidos PT, PSol, PSB e Rede bateram o martelo na tarde desta quinta-feira (31/1) para a formação de um bloco parlamentar de oposição ao governo de Jair Bolsonaro (PSL) na Câmara dos Deputados. O bloco reunirá 98 parlamentares, e a intenção é que o conjunto de siglas atue como a segunda maior bancada da Câmara.

Para a eleição da presidência da Casa, o bloco continuará na defesa de duas candidaturas já colocadas: a de Marcelo Freixo (PSOL-RJ), que deve ter votos da Rede, parte do PT e do seu partido, e a de João Henrique Caldas (PSB-AL), conhecido como JHC, que deve angariar votos de seu partido e de algumas alas do PT.

O bloco esperava a adesão do PCdoB. Os comunistas, no entanto, preferiram ficar na composição com o PDT, que articula na Câmara outro bloco de oposição.

O líder do PT na Câmara, deputado Paulo Pimenta (RS), informou que ainda pretende avançar no diálogo com o PDT e com o PCdoB ao longo na noite desta quinta-feira com o objetivo de ampliar o grupo. “A partir desse bloco de quatro partidos, nós vamos continuar avançando no diálogo. Queremos ainda hoje poder anunciar um bloco mais amplo”, disse.

“Vamos aguardar as definições do PCdoB, as definições do PDT e esperamos, até o final da noite de hoje, quem sabe, poder anunciar ao país um bloco ainda mais representativo que mostre a força da oposição dentro da Casa”, enfatizou.

Segundo Pimenta, com a coesão dos partidos, será possível fazer frente às pautas que serão apresentadas pelo novo governo.

“O fato novo é a consolidação de um bloco de oposição independente dentro da Casa. PSB, PT, PSol e Rede, unidos, representam quase cem parlamentares. Esse é um bloco formado em cima de um compromisso programático de independência do Poder Legislativo, de distância em relação ao governo, de defesa da democracia, de defesa da nossa soberania, dos direitos dos trabalhadores e das trabalhadoras”, disse o líder.

O presidente do PSB, Carlos Siqueira, também segue na movimentação para ainda atrair PDT e PCdoB mas, para ele, a formação com os quatro partidos foi “acertada, respeitosa e democrática”. “Foi uma decisão que temos que respeitar e que garantirá à nossa bancada condições para exercer um protagonismo na oposição ao governo autoritário de Jair Bolsonaro”, afirmou Siqueira.

Eleição
Em relação às estratégias para a eleição do presidente da Câmara e dos demais lugares na Mesa, as bancadas continuam em reuniões. O PT deve definir ainda hoje como se distribuirão os 54 votos do partido.

“Dentro do bloco, nós não teremos uma indicação de candidatos a presidente. Como são diversos partidos, os partidos têm uma autonomia na definição das suas candidaturas. O PT mesmo vai reunir agora sua bancada para discutir a nossa estratégia da eleição para presidente. Nós já anunciamos que está descartada qualquer possibilidade de apoiar o Rodrigo Maia em função da sua aliança com o PSL.”

Rodízio
Os deputados mantiveram como regra um rodízio no preenchimento de postos de liderança e nas presidências de comissões às quais o possível bloco terá direito. Um desses postos será, possivelmente, a liderança da Minoria, caso o conjunto se firme realmente como a segunda maior bancada de oposição ao governo.

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