*
 

O PT pretende iniciar uma ofensiva jurídica contra o ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, por supostamente ter interferido junto à Polícia Federal para evitar o cumprimento do habeas corpus concedido ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado e preso pela Operação Lava Jato, pelo desembargador plantonista do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) Rogério Favreto – decisão posteriormente revogada pelo presidente da Corte, Carlos Eduardo Thompson Flores.

O partido vai usar o episódio como símbolo do que os petistas classificam de “perseguição do Judiciário e do juiz federal Sérgio Moro” contra o petista. A área jurídica, no entanto, ainda estuda qual o melhor caminho para acionar Jungmann.

A Coluna do Estadão revelou nessa segunda-feira (9/7) que o ministro, ao qual a PF é subordinada, disse à deputada Maria do Rosário (PT-RS) que o presidente do TRF-4 pediu à corporação para aguardar o despacho final do próprio Thompson Flores. Por esse motivo, os agentes da PF de plantão não soltaram Lula quando Favreto deu a decisão, pela manhã.

Na avaliação do partido, o ministro foi um dos principais “agentes” dessa “manobra”. “Se Jungmann participou diretamente desse esquema será responsabilizado”, afirmou o líder do PT na Câmara, Paulo Pimenta (RS), um dos autores do habeas corpus que provocou o imbróglio jurídico.

Jungmann negou o fato. Questionado na segunda-feira (9) se poderia haver algum tipo de responsabilização da Polícia federal por causa da demora em soltar o ex-presidente, o ministro disse que a PF “cumpriu estritamente a lei, num momento muito difícil, complicado, de conflito de competências, no Poder Judiciário.” Procurado nessa terça-feira (10), Jungmann não se manifestou.

Deputados e senadores petistas alternaram-se ontem falando sobre o assunto nas tribunas do Congresso e cogitam mobilizarem-se para convocar ou convidar Jungmann para dar explicações na Câmara ou no Senado. O partido também organiza atos de rua – o primeiro deles está marcado para o dia 18, em Curitiba.