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Após mais de dois dias de debates e discussões, o Diretório Nacional do PT aprovou, neste sábado (1º/12), uma nova resolução política para orientar os rumos da legenda a partir de 2019. Diferentemente do que estava previsto na primeira versão do documento, a sigla recuou de autocríticas feitas aos governos petistas e optou por dar mais ênfase à importância de Fernando Haddad, candidato derrotado nas eleições de 2018, como “nova liderança nacional do partido”.

A elaboração da resolução expôs as divergências que tomaram conta da sigla desde as eleições, quando Jair Bolsonaro (PSL) foi eleito presidente da República. Uma primeira versão do texto havia sido elaborada por uma comissão formada com integrantes de todas as correntes internas da legenda.

Esse documento, contudo, causou desconforto principalmente entre os membros do grupo majoritário, denominado Construindo um Novo Brasil (CNB), e do grupo Movimento PT. Ambos decidiram produzir novas versões do mesmo conteúdo.

Com mais de 70 itens, a redação trazia críticas à política econômica da ex-presidente Dilma Rousseff – ela tinha Joaquim Levy como ministro da Fazenda, atualmente indicado para ser o novo presidente do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) na gestão de Bolsonaro – e também a setores da centro-esquerda que se recusaram a apoiar Haddad no segundo turno da disputa presidencial, numa referência indireta ao PDT, de Ciro Gomes.

Após pressão da CNB, o partido retirou essas questões e focou no enaltecimento de Haddad. Um dos dirigentes da sigla disse, em condição de anonimato, que nunca havia presenciado uma reunião do Diretório Nacional como esta, apesar de serem históricas as divergências. Prevaleceu então a visão da corrente majoritária e os elogios ao candidato derrotado nas urnas.

“É imprescindível ressaltar nesse balanço a projeção do companheiro Fernando Haddad como uma nova liderança nacional do partido. Defendeu o legado do PT, ao mesmo tempo em que simbolizou aspectos de renovação política e social de que o PT é capaz, logrando conjuntamente com a militância democrática, da esquerda e do partido chegar ao final do segundo turno com 47 milhões de votos. Com este saldo político, Fernando Haddad poderá cumprir destacado papel frente aos novos e complexos desafios da conjuntura”, diz a resolução final.

Questionada sobre o fato de a legenda não ter feito uma reflexão sobre os próprios erros, a presidente da legenda, senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), foi enfática: “Não tem autocrítica no texto. O PT faz autocrítica na prática. O PT fez financiamento público de campanha e está reorganizando as bases. O PT está com movimento social. Nós não faremos autocrítica para a mídia e não faremos autocrítica para a direita do país”, afirmou.