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O PSL vai acatar o pedido do presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), e não lançará candidato ao comando da Câmara, em nome da governabilidade. Mesmo assim, o partido de Bolsonaro não quer apoiar a recondução de Rodrigo Maia (DEM-RJ) à presidência da Casa.

Aliados do capitão reformado afirmam que a Câmara precisa de um chefe com “pulso firme” e até mesmo o aval que Maia recebe da esquerda é citado como obstáculo para a aliança em torno do seu nome.

O deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente eleito, admitiu nesta segunda-feira (5/11) que o perfil procurado é semelhante ao de um “trator” para impedir o que chamou de “manobras” dos adversários. “A gente sabe como vai ser a posição da esquerda”, afirmou o deputado no programa Poder em Foco, do SBT. “Acho que em 1º de janeiro já tem pedido de impeachment para ser impetrado. Então, com esse tipo de oposição, não tem como dar ouvidos: é tratorar“, emendou.

A eleição que vai renovar o comando da Câmara e do Senado está marcada para 1º de fevereiro e já agita os bastidores do Congresso. Até agora, no entanto, a maior briga ocorre na Câmara.

Sem corpo mole
Depois de dizer, na semana passada, que gostaria de ver o PSL fazendo um “gesto de humildade”, sem entrar nessa disputa, o presidente eleito foi além: “Temos que ter um presidente que não faça corpo mole e que coloque em pauta as propostas do Executivo”, definiu Bolsonaro nesta segunda-feira (5), em entrevista ao apresentador José Luiz Datena, da TV Bandeirantes.

Em conversas reservadas, interlocutores observam que o preferido de Bolsonaro para a presidência da Câmara, atualmente, é João Campos (PRB-GO). Delegado e pastor da Igreja Assembleia de Deus, o deputado integra tanto a “bancada da bala” quanto a frente parlamentar evangélica.

A pré-candidatura de Campos e também as de outros colegas: capitão Augusto (PR-SP), Arthur Lira (PP-AL), Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) e Fernando Giacobo (PR-PR), mostram que o Centrão está rachado sobre a reeleição de Maia.

Poder de emparedar
Formado por DEM, PP, PR, PRB e Solidariedade, o grupo reúne aproximadamente 200 dos 513 deputados e sempre atuou como fiel da balança nas principais votações da Casa, com poder de “emparedar” o governo.

Na campanha, o Centrão se comprometeu a apoiar a recondução de Maia ao cargo, mas agora está dividido. De qualquer forma, apesar dessa cisão, o presidente da Câmara ainda conta com maioria para obter novo mandato.

“Eu tenho a convicção de que o PSL fecha comigo, mas quem vai definir mesmo é o zero um”, resumiu Capitão Augusto, recorrendo à expressão militar usada para se referir a Bolsonaro. No MDB, há dois pré-candidatos: o atual vice-presidente da Câmara, Fábio Ramalho (MG), e Alceu Moreira (RS), da frente parlamentar de agropecuária.

“A minha campanha é em defesa do Parlamento e vou até o fim, com ou sem apoio do MDB, pois posso concorrer como avulso. Não quero cargo na Mesa Diretora e nem retiro o meu nome por nada”, insistiu Ramalho.

PT sem candidato
O PT não vai lançar candidato ao comando da Câmara e tende a avalizar Maia, assim como o PCdoB e outros partidos de oposição.

Depois das eleições, o PT ficou com a maior bancada (56 deputados), seguido pelo PSL, com 52. O partido de Bolsonaro calcula que chegará a ter 60 parlamentares ao receber adesões de eleitos por siglas que não conseguiram ultrapassar a cláusula de barreira.