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O líder do PSDB na Câmara dos Deputados, Ricardo Tripoli (SP), vai orientar a bancada tucana, formada por 46 deputados, a votar a favor do prosseguimento da denúncia contra o presidente Michel Temer (PMDB-SP), segundo a assessoria da liderança do partido. A decisão é uma manobra do parlamentar para constranger ministros que foram exonerados pelo Palácio do Planalto, com o objetivo de ajudar o chefe do Executivo nacional na votação.

Dos 10 ministros exonerados nesta quarta-feira (2/8) por Temer, que são deputados federais e podem participar da sessão, dois são tucanos: o ministro da Secretaria de Governo, Antonio Imbassahy (PSDB-BA) e o ministro das Cidades, Bruno Araújo (PSDB-PE). Com isso, chefes das pastas vão, na prática, ter de contrariar a orientação do próprio partido.

Além disso, o painel de votação exibirá uma orientação diferente daquela apresentada pelo relator da denúncia, deputado Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG), que recomendou a rejeição da admissibilidade do pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR). Parte da bancada do PSDB se reuniu na manhã desta quarta-feira para discutir o assunto, mas o encontro acabou esvaziado diante da divisão interna na legenda.

A expectativa é que o PSDB registre maioria a favor da denúncia e contra o presidente Michel Temer. Os deputados do grupo conhecido como “cabeças-pretas” esperam conseguir até 30 votos contra o governo.

Surpresa
O deputado Domingos Sávio (PSDB-MG) disse que foi pego de surpresa com a notícia de que o líder do seu partido irá encaminhar votação favorável ao acolhimento da denúncia. “Isso pegou a bancada de surpresa e não reflete o sentimento da maioria do partido. Isso é liderança de partido nanico e será um tiro no pé. Será desastroso”, contou Sávio.

O parlamentar se encontrava em um canto do plenário da Câmara com outros deputados do PSDB por volta das 11h30. Ele tenta convencer os colegas a pedirem que Tripoli libere a bancada para a votação e não encaminhe o voto pela aceitação da denúncia.

O deputado Antônio Imbassahy (PSDB-BA), que foi exonerado nesta quarta do cargo de ministro da secretaria de Governo para reassumir o mandato na Câmara e votar a favor de Michel Temer, disse que desconhece a decisão de Tripoli.