Procurador do Rio de Janeiro era o “gordinho” da Odebrecht

Renan Saad foi preso por supostas vantagens indevidas de R$ 1,2 milhão decorrentes de favorecimento a empresas nas obras da Linha 4 do Metrô

RICARDO CASSIANO/AGÊNCIA O DIA/ESTADÃO CONTEÚDORICARDO CASSIANO/AGÊNCIA O DIA/ESTADÃO CONTEÚDO

atualizado 02/07/2019 7:20

O procurador do Estado do Rio de Janeiro Renan Saad era apelidado de “gordinho” no sistema do departamento de propinas da Odebrecht. Ele foi preso nesta segunda-feira (01/07/2019), no âmbito da Operação Lava Jato, por supostas vantagens indevidas de R$ 1,2 milhão decorrentes de favorecimento a empresas nas obras da Linha 4 do Metrô. A Justiça decretou o bloqueio da quantia.

As informações foram publicadas no Blog Fausto Macedo, nesta terça-feira (02/07/2019). De acordo com a decisão do juiz federal Marcelo Bretas, da 7ª Vara do Rio, o custo inicial da obra foi orçado em R$ 880.079.295,18 e posteriormente reajustado para R$ 9.643.697.011,65.

Em depoimento, o colaborador Marcos Vidigal, ex-executivo da Odebrecht afirmou que a propina a Renan Miguel Saad se justificaria, já que ele seria “responsável por exarar pareceres nos procedimentos administrativos vinculados às obras do Metrô”.

O delator diz ainda que “tais pareceres do procurador do Estado Renan Saad, à época, foram utilizados para justificar a alteração qualitativa e quantitativa do contrato”.

A Procuradoria, segundo Bretas, “assinalou que a Odebrecht possuía um setor de Operações Estruturadas, com sistema próprio de informática (Drousys), que era responsável por disponibilizar vantagens indevidas aos agentes públicos. Em tal sistema, Renan era identificado em pelo codinome Gordinho”.

“A seu turno, os registros eletrônicos relacionados a esse codinome vêm acompanhado do indicativo de “metrô”, restando inclusive a anotação de endereço de entrega, que condiz com a localidade apontada pelo colaborador Marcos Vidigal (Avenida Rio Branco, 181, n° 29)”, anotou o juiz.

O magistrado afirma que, “conforme demonstrado pelo MPF por pesquisa livre ao site, o endereço citado, de fato, é do escritório de advocacia de Renan”.

“Ademais, o MPF apresenta documentos coletados em busca e apreensão, autorizada por esse Juízo, realizada na sede da pessoa jurídica Armazéns Gerais Murundu LTDA. Tal empresa era a responsável por armazenar documentação da
empresa Trans-Expert; transportadora, em tese, utilizada pela Hoya Corretora de Valores, de Alvaro Novis, para a entrega de valores ilícitos provenientes da Odebrecht”, anotou.

“Nesse diapasão, foi localizado em uma das caixas pertencentes à Hoya, recibo de entrega de R$ 100.000,00, datado de 18/04/2012, constando exatamente o endereço do escritório de Renan Saad, já mencionado acima”, escreveu Bretas.

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