*
 

O Palácio do Planalto admitiu neste sábado (2/9), pela primeira vez, um encontro entre o presidente Michel Temer (PMDB) e o operador financeiro Lúcio Funaro, preso em Brasília pela Operação Lava Jato. Segundo o governo, eles teriam sido apresentados, rapidamente, pelo ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB), no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. Na época, Temer era vice-presidente. As informações são do blog da jornalista Andréia Sadi, da GloboNews.

O cerco sobre a relação de Temer e Funaro, que trabalhou na arrecadação de fundos das campanhas do PMDB em 2010, 2012 e 2014, está se fechando. Aliados do presidente temem o estrago que a delação feita pelo lobista possa causar à gestão do peemedebista assim que ela for homologada e tornada pública.

Não é a primeira vez que relatos sobre encontros entre os dois são divulgados. Em junho, a revista Veja publicou reportagem afirmando que Funaro teria contado à Polícia Federal que se encontrou com Temer em pelo menos três ocasiões. Na época da publicação, entretanto, o Palácio do Planalto negou a informação.

Carona
Segundo a nova versão da assessoria de Temer, o encontro entre ele e Funaro foi rápido. Na ocasião, Eduardo Cunha pegaria uma carona no avião da Força Aérea Brasileira (FAB) que atendia ao então vice-presidente. Os dois teriam apenas sido apresentados e se cumprimentaram. O operador não teria viajado no voo. A equipe de Temer garantiu ainda que não foram registrados mais encontros entre eles.

Mas, segundo Funaro, os dois teriam se encontrado pelo menos mais duas vezes. Em Uberaba (MG), durante as eleições municipais de 2012, onde também participaram Cunha e um dos delatores da JBS, o executivo Ricardo Saud. A terceira vez teria sido em uma reunião de apoio à candidatura de Gabriel Chalita (PMDB) para a Prefeitura de São Paulo, na capital paulista.

O acordo de delação premiada de Funaro retornou ao Supremo Tribunal Federal (STF) na quinta-feira (31/8), após passar por ajuste na Procuradoria-Geral da República (PGR). Depois de o material voltar ao gabinete do ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato, ele irá convocar o lobista para confirmar que o acordo foi firmado de forma espontânea. Só depois disso estará pronto para homologação

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pretende usar informações prestadas por Funaro na denúncia que prepara contra Temer. Para isso, a delação precisa estar homologada pelo ministro do STF. Nas contas feitas por investigadores, Fachin deve validar o acordo até o início da semana que vem, possibilitando que a denúncia seja oferecida na sequência.

Esquema
O conteúdo dos depoimentos ainda está em sigilo. Porém, já se sabe que Funaro contou como funcionavam os pagamentos indevidos usando o fundo de investimentos FI-FGTS, da Caixa Econômica Federal. Funaro é apontado como operador financeiro do PMDB no esquema investigado pela Operação Lava Jato e tem informações sobre diversos políticos da sigla, alguns deles com foro privilegiado.

Em sua lista, constam o presidente da República, Michel Temer; o ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha; o secretário-executivo do Programa de Parcerias de Investimentos, Moreira Franco; e o ex-ministro Geddel Vieira Lima — todos do PMDB —; além do empresário Ricardo Leal, que teve participação ativa na campanha do governador Rodrigo Rollemberg (PSB).

Funaro atuou com o ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ) entre 2011 e 2015 e conhece operações financeiras apontadas como criminosas pelos procuradores da República. Ele estima que nas três campanhas em que atuou, arrecadou R$ 100 milhões para o PMDB e partidos coligados. Segundo o delator, a aplicação dos recursos seguia a orientação de Temer. (Com informações da GloboNews, Veja e Agência Estado)

 

 

COMENTE

Michel TemerDelaçãoencontroLúcio Funaro
comunicar erro à redação

Leia mais: Política