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A Polícia Federal identificou no celular do empresário Wesley Batista, acionista da J&F, um grupo de WhatsApp do qual fazia parte o então procurador da República Marcelo Miller, sob investigação por supostamente ter intercedido pela JBS nas negociações de acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República.

O aparelho de Wesley foi apreendido em maio durante buscas da quarta fase da Operação Lama Asfáltica, que investiga desvios de verbas públicas federais em obras do governo de Mato Grosso do Sul. Os investigadores resgataram a memória do grupo no celular de Wesley e identificaram intensa comunicação com outros executivos e também com Miller que, durante três anos atuou no gabinete do procurador-geral da República Rodrigo Janot.

Correspondências recuperadas remontam ao período mais tenso das conversas com a cúpula do Ministério Público Federal, indicando que o então procurador teria colaborado com a J&F quando ainda exercia função na instituição.

Segundo os investigadores, Miller deu orientações aos delatores, inclusive sobre o procedimento relativo a anexos da colaboração. Na segunda-feira (11/9) a Polícia Federal apreendeu o celular do ex-procurador durante buscas em sua residência, na Lagoa.

Miller  pediu exoneração da carreira em 23 de fevereiro. Sua saída só se consumou em abril. Segundo os investigadores, os arquivos do grupo de WhatsApp de Wesley revelam contatos com Miller desde antes sua exoneração.

O que diz o advogado dos irmãos Batista?
O criminalista Pierpaolo Bottini disse que os próprios acionistas da J&F já reconheceram que o ex-procurador da República Marcelo Miller participou, em março, de reuniões para dar ‘orientações jurídicas’ no âmbito do acordo de colaboração do grupo junto à Procuradoria-Geral da República.

“Marcelo (Miller) participou, durante o mês de março, e ajudou na indicação de como fazer anexos, quais os procedimentos”, disse Pierpaolo. “Esse grupo de WhatsApp só corrobora aquilo que já disseram (os irmãos Batista), eles falam expressamente sobre isso”, destaca o advogado.

“Ele (Miller) atuou apenas na orientação jurídica dos colaboradores, mas nunca participou de conversas com a Procuradoria-Geral da República, não fez meio de campo com a PGR. Eles (irmãos Joesley e Wesley) juram que não houve isso.”

A defesa de Miller

Nota à imprensa
Marcello Miller esclarece que:

1) Repudia veementemente as insinuações e ilações feitas com base no conteúdo das gravações e mensagens divulgadas na imprensa. A defesa está esclarecendo o sentido e o contexto a todas as referências ao nome de Miller.

2) Reitera ainda que jamais fez jogo duplo e que não tinha contato com o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, nem se aproveitou de informações sigilosas de que teve conhecimento enquanto procurador. Ele também não atuou na Operação Lava Jato desde outubro de 2016 , na Operação Greenfield ou na Procuradoria da República no DF.

3) Não atuou em investigações ou processos relativos ao Grupo J&F nem buscou dados ou informações nos bancos de dados do Ministério Público Federal.

4) Pediu exoneração em 23/2/2017, tendo essa informação circulado imediatamente no MPF.

5) Não obstruiu investigações de qualquer espécie, nem alegou ou sugeriu poder influenciar qualquer membro do MPF.

6) Tem uma carreira de quase 20 anos de total retidão e compromisso com o interesse público e as instituições nas quais trabalhou.

 

 

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