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Parlamentares comentaram a indicação, nesta quinta-feira (1º/11), de Sérgio Moro para o governo de Jair Bolsonaro. Entre cumprimentos, elogios e críticas, o assunto dominou o meio político e as redes sociais.

Para o senador Cristovam Buarque (PPS-DF), a confirmação dá margem para jornais do Brasil e do exterior falarem em “conspiração” contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), desmoralizando os trabalhos no âmbito da Lava Jato.

O juiz responsável pela Lava Jato no Rio de Janeiro, Marcelo Bretas desejou sucesso. “Competência profissional e dignidade pessoal não lhe faltam para exercer as maiores funções em nossa República. Minhas orações para que Deus lhe dê sabedoria para superar os novos desafios, paz e felicidade a toda sua família”, disse.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso também usou o Twitter para se manifestar. “Homem sério. Preferia vê-lo no STF, talvez uma etapa. Fusões de ministérios, sim, com prudência. Já vimos fracassos colloridos. Torço pelo melhor, temo que não, sem negativismos nem adesismos. A corrupção arruina a política e o país”, assinalou.

O deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) disse que, agora, ficou mais “fácil entender a implacável perseguição da Lava Jato contra Lula, o desespero de Moro para que o habeas corpus para soltar Lula não fosse cumprido e a decisão para que ele permanecesse isolado durante a campanha, sem nenhum contato com a imprensa”.

Janaina Paschoal, uma das autoras do pedido de Impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e deputada estadual eleita pelo PSL-SP, tem outro entendimento. A advogada considera não haver suspeita sobre o juiz, que tem “seu trabalho internacionalmente conhecido”.

Candidato a presidente pelo PSol e derrotado no primeiro turno, Guilherme Boulos vê o “sim” de Moro “dentro do jogo”. “Exceto pelo fato que estamos falando de um juiz que decidiu as eleições e a vida nacional com sua caneta nos últimos 2 anos”, disparou.

Luiz Philippe de Orleans e Bragança, eleito deputado federal pelo PSL-SP, aprovou a decisão. Moro é o “cara” para o “brasileiro que pede limpeza impiedosa contra corrupção até o restabelecimento da justiça”, declarou.

Governador eleito por São Paulo, João Doria (PSDB) disse que o juiz é um “patrimônio moral do Brasil” e que o magistrado sinaliza um “novo caminho de transparência e verdade na política brasileira”.

O advogado e deputado federal Wadi Damous (PT-RJ) criticou o jurista. “Será o pilar do estado policial-fascista brasileiro, mas também carregará para sempre a pecha de juiz parcial e sem isenção. Ele tem de se afastar ou ser afastado imediatamente dos processos da lava jato, em particular dos que envolvem o ex-presidente Lula”, escreveu no Twitter.

Candidata a vice-presidente na chapa encabeçada por Fernando Haddad (PT), Manuela D’Ávila (PCdoB) afirmou que, ao aceitar o convite para ser ministro da Justiça, o juiz “decide tirar a toga para fazer política”.

Deputado federal pelo PSol-SP, Ivan Valente questionou o novo ministro do governo Bolsonaro: “Cai a máscara de Moro. Comprova que sempre foi um carreirista e teve atuação seletiva. Reiteramos, vai mandar prender Onyx Lorenzoni? Réu confesso de praticar Caixa 2 da JBS”.