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Ao conceder uma entrevista coletiva, nesta terça-feira (6/11), o juiz Sérgio Moro entrou em contradição com propostas apresentadas pelo presidente eleito, Jair Bolsonaro, durante toda sua campanha. Uma das divergências refere-se ao tratamento a ser dado pelo governo aos movimentos sociais.

Para Moro, não é “consistente” tratar movimentos sociais como “terroristas”. “O que não significa que sejam inimputáveis”, ressalvou o juiz na conversa com jornalistas.

Neste ponto, Moro entra em contradição com as ideias propagadas Bolsonaro. Em recentes declarações, o presidente eleito defendeu tipificar movimentos sociais como organizações terroristas e chegou a apontar como exemplo o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST). Bolsonaro também citou a possibilidade de “varrer do país” as cúpulas do Partido dos Trabalhadores (PT) e do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL).

Relação
Na entrevista, o juiz tentou minimizar suas divergências com o presidente e disse que tem consciência de que a última palavra será do presidente. “Tenho muita ciência de que estou numa posição subordinada”, ponderou.

“Não tenho a menor dúvida de que a decisão final é do presidente da República”, ressalvou o futuro ministro, que considerou a possibilidade de tentar convencê-lo da melhor decisão a ser tomada. “A conversa que tivemos na última quinta-feira foi muito produtiva”, disse Moro.

O juiz sinalizou ser favorável à flexibilização da legislação sobre armas, uma das principais bandeiras de Bolsonaro, mas ponderou que “uma flexibilização excessiva pode ser utilizada como armamento para organizações criminosas. Tem que pensar quantas armas o indivíduo poderá ter em sua casa”, disse Moro.

O futuro ministro também tentou desconstruir o discurso de intolerância em relação às minorias e que pautou toda campanha de Bolsonaro e disse que identifica um “caminhar de moderação” nas declarações de Bolsonaro. Ele disse não acreditar no avanço de leis no Congresso Nacional contra direitos de grupos minoritários. “Tenho plena convicção de que a partir de janeiro de 2019 essas minorias vão poder exercer sua liberdade normalmente, sem risco para elas”, diz Moro.