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Candidato derrotado na eleição presidencial, o petista Fernando Haddad afirmou que a indicação do juiz Sérgio Moro para ocupar o cargo de Ministro da Justiça no governo de Jair Bolsonaro (PSL) só será compreendido pela mídia e fóruns internacionais, uma vez que, segundo ele, “o conceito de democracia e república” escapam à elite brasileira.

“Se o conceito de democracia já escapa à nossa elite, muito mais o conceito de República. O significado da indicação de Sérgio Moro para Ministro da Justiça só será compreendido pela mídia e fóruns internacionais”, escreveu Haddad em sua conta no Twitter.

Advogados de defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ingressaram na 13ª Vara Criminal de Curitiba (PR), com um pedido de nulidade do processo relativo ao Instituto Lula, movido pelo Ministério Público Federal (MPF) e pelo juiz Sérgio Moro. A argumentação da defesa do ex-presidente é pela prática de lawfare (uso das leis e dos procedimentos jurídicos para fins de perseguição política).

O pedido foi apresentado na tarde de quarta-feira (31/10), um dia antes de o jurista aceitar ser ministro da Justiça do governo de Jair Bolsonaro. De acordo com os advogados, a “conexão política” do juiz de primeira instância com o presidente eleito fica evidente diante do convite, que foi aceito por Moro na manhã desta quinta (1º/11).

Convite
Sérgio Moro aceitou nesta quinta-feira (1º/11) o convite feito pelo presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), para comandar o superministério da Justiça. O futuro ministro justificou a escolha em nota divulgada após o encontro: “Consolidar os avanços contra o crime e a corrupção dos últimos anos e afastar riscos de retrocessos por um bem maior”.

Ele deixou o condomínio de Bolsonaro, no Rio de Janeiro, às 10h45, após cerca de 1h30 de reunião. Na saída, o magistrado chegou a ensaiar uma entrevista no local, mas, diante do tumulto, saiu sem dar declarações. Depois, divulgou nota que pode ser lida na íntegra:

Fui convidado pelo Sr. Presidente eleito para ser nomeado Ministro da Justiça e da Segurança Pública na próxima gestão. Após reunião pessoal na qual foram discutidas políticas para a pasta, aceitei o honrado convite. Fiz com certo pesar pois terei que abandonar 22 anos de magistratura. No entanto, a perspectiva de implementar uma forte agenda anticorrupção e anticrime organizado, com respeito à Constituição, à lei e aos direitos, levaram-me a tomar esta decisão. Na prática, significa consolidar os avanços contra o crime e a corrupção dos últimos anos e afastar riscos de retrocessos por um bem maior. A Operação Lava Jato seguirá em Curitiba com os valorosos juízes locais. De todo modo, para evitar controvérsias desnecessárias, devo desde logo afastar-me de novas audiências. Na próxima semana, concederei entrevista coletiva com maiores detalhes.

Curitiba, 01 de novembro de 2018. Sérgio Fernando Moro”