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Sob o olhar de seu antecessor, o novo diretor-geral da Polícia Federal, Rogério Galloro, tomou posse na manhã desta sexta-feira (2/3) em Brasília. A troca de comando foi divulgada pelo novo ministro Extraordinário da Segurança Pública, Raul Jungmann, na terça (27/2).

Ao assumir a recém-criada pasta, Jungmann recebeu, do presidente Michel Temer, a incumbência de dar novo direcionamento à PF, de forma que a instituição tenha “ação forte e contundente” no combate ao crime organizado. Assim, em uma de suas primeiras ações, o ministro decidiu trocar a chefia da corporação. Saiu Fernando Segovia e assumiu Galloro.

Nesta sexta, ao passar o cargo para seu sucessor, Segovia falou brevemente. “Vim, vi e venci. Combati o bom combate, terminei a corrida”, disse. Ele também agradeceu a Temer a “oportunidade”. “Levarei por toda a minha vida esta experiência enriquecedora, intensa”, continuou.

Em seguida, Rogério Galloro exaltou a confiança do brasileiro na PF. “Essa é a Polícia Federal. Esse é o nosso tamanho”, afirmou. Mostrando estar alinhado com Jungmann, ele ressoou o discurso que o ministro fez nesta semana. “O crime não é e nem será maior do que o Estado brasileiro. O crime não vencerá.”

O ministro da Justiça, Torquato Jardim, também discursou. Ele deu boas-vindas a Galloro e, ainda, elogiou o trabalho de Segovia ao pontuar que o trabalho do ex-diretor da PF foi “muito mais profícuo e permanente do que querem acreditar”.

A expectativa na corporação é de que, com o novo comando, a PF consiga ser protagonista na atuação contra as organizações criminosas ligadas ao narcotráfico e a desvios de dinheiro público na nova formatação do Ministério da Segurança Pública.

Com isso, a PF também deve atuar de forma mais direta na intervenção no Rio de Janeiro, cujo objetivo é enfrentar as facções em atuação no estado fluminense. Ao mesmo tempo, os agentes federais seguiriam apoiando o Ministério Público Federal nos desdobramentos da Operação Lava Jato.

Diretorias
Para a Diretoria de Inteligência Policial, Galloro convocou Umberto Rodrigues, ex-superintendente em Goiás e há 14 anos na PF. Na corporação, integrou a delegacia de repressão ao tráfico de entorpecentes no Amazonas. Entre 2011 e 2013, atuou como subsecretário estadual de Segurança.

Rodrigues é estudioso do tráfico de drogas na Região Norte, sede de uma das maiores facções do Brasil, da Família do Norte (FDN) e principal rota de entrada de cocaína do país.

O atual diretor regional no Distrito Federal, Élzio Vicente da Silva, foi chamado para cuidar do combate ao crime organizado. Outro superintendente, do Ceará, Delano Bunn, foi convidado para a Diretoria de Gestão de Pessoal. A delegada Silvana Helena Borges é o nome para ocupar a Diretoria Executiva.

Delegado federal há 23 anos, Galloro é visto como de perfil técnico, com maior afinidade para cargos administrativos. Antes de ser diretor executivo na gestão de Leandro Daiello, foi superintendente em Goiás, diretor de Administração e Logística e adido policial nos Estados Unidos. Durante a gestão de Daiello, o novo diretor-geral atuou como coordenador das forças da PF na Copa de 2014 e na Olimpíada de 2016. Desde 2017, quando assumiu a Secretaria Nacional de Justiça, ele também integra o Comitê Executivo da Interpol.

Insustentável
A imagem de Fernando Segovia ficou desgastada a partir da publicação de entrevista à Reuters, no último dia 9, na qual ele declarou que o inquérito aberto na corporação para investigar suposto tráfico de influência pelo presidente da República, Michel Temer (MDB-SP), na edição do chamado Decreto dos Portos, deveria ser arquivado por falta de provas. Minutos depois de reunir-se com a Reuters e revelar seu posicionamento sobre a investigação contra Temer, Segovia recebeu o Metrópoles e criticou a imprensa por “vazamentos de investigações” correndo em sigilo.

De acordo com as apurações, o emedebista teria beneficiado, ao assinar o documento, empresas que atuam no setor portuário, como a Rodrimar e a holding J&F. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso prorrogou as investigações por mais 60 dias, a pedido da própria Polícia Federal.

As declarações de Fernando Segovia repercutiram mal no meio jurídico e nas associações que representam a Polícia Federal em todo o país. Várias notas de repúdio foram publicadas, e uma das entidades chegou a cobrar dele “retratação pública“. Para Raul Jungmann, até então ministro da Defesa, a situação de Segovia ficara insustentável após a entrevista.

(Com informações da Agência Estado)