Novo governo inaugurou o “obscurantismo ostentação”, dispara Padilha

O deputado federal petista diz que ministros de Bolsonaro disputam para ver quem é o mais obscurantista, retomando eras medievais

Pedro Ventura/MetrópolesPedro Ventura/Metrópoles

atualizado 15/02/2019 12:34

Médico e professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o ex-ministro dos governos petistas, Alexandre Padilha (PT-SP), assume, pela primeira vez, um mandato parlamentar. Se no Executivo atuou sempre na situação, no Legislativo ele estreia sua atuação como oposição ao governo de Jair Bolsonaro (PSL).

Em entrevista ao Metrópoles, Padilha criticou duramente os primeiros passos dos ministros e da família Bolsonaro. Segundo ele, o atual momento inaugurou o que ele chamou de “obscurantismo ostentação”.

“Dá a impressão que se tem dentro do governo Bolsonaro pessoas que fazem uma disputa de quem é mais obscurantista”, destacou o médico infectologista, que agora divide a rotina de Brasília com as aulas que ministra no curso de medicina da Unicamp e no mestrado de outra universidade particular.

“A ministra Damares [Alves, da pasta de Direitos Humanos] fala uma coisa. Aí vem um ministério e tenta fazer uma coisa mais obscurantista ainda, retomando eras medievais”, prosseguiu, ao se referir às novas medidas anunciados pela pasta da Saúde, que trouxe de volta para o debate a possibilidade de executar tratamentos com eletrochoque em pessoas diagnosticadas com problemas psiquiátricos.

“Se isso se tornar uma medida efetiva, coloca o Brasil na contramão do que a Organização Mundial da Saúde (OMS) defende”, observou.

Ex-ministro da Saúde no governo de Dilma Rousseff, Padilha foi o responsável pela criação do programa Mais Médicos. Ele lamentou a forma como o programa chegou ao fim. “Foi um desrespeito aos médicos e aos cubanos”, afirmou.

PT x PSBD
A ascensão de Jair Bolsonaro, na visão de Padilha, representa uma derrota aos partidos que de 1994 a 2014 disputaram o poder no país. Questionado se foi um erro apostar na polarização dos dois, o deputado preferiu deixar a conclusão para os historiadores. “A história vai poder analisar isso melhor”.

Na sequência, no entanto, ele criticou o agora deputado Aécio Neves (PSDB-MG), que, na sua avaliação, não aceitou a derrota para Dilma Rousseff em 2014 e teria rompido “as regras democráticas”.

“A liderança do PSDB, o candidato Aécio Neves, não reconhece o resultado eleitoral e começa uma campanha golpista no país de desestabilização do governo da presidenta Dilma Rousseff. Isso inclui impedir que a Dilma pudesse governar, as pautas bombas no Congresso Nacional, a aliança com o Eduardo Cunha e a interrupção do processo democrático”, afirmou, referindo-se ao impeachment.

“Aquilo criou um caldo de cultura do ódio no país, da intolerância, do desrespeito a qualquer regra democrática, seja no Congresso Nacional, seja nos processos do Judiciário. O PSDB se calou diante do rompimento das regras do Judiciário que levaram à prisão absolutamente injusta do ex-presidente Lula”, destacou.

Pacote anticrime
Padilha criticou o pacote de medidas anticrime apresentado pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro. Segundo ele, com as mudanças propostas pelo ex-juiz, a polícia acaba tendo “licença para matar”. “Isso só aumenta a violência”, opinou.

Sobre a atuação do PT, Padilha apoia a política defendida pelo partido de colocar como bandeira principal a defesa da liberdade para o ex-presidente Lula.

Veja a entrevista na íntegra:

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