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Após ser nomeado como o novo ministro do Trabalho na tarde desta terça-feira (10/7), o advogado Caio Vieira de Mello não quis adiantar as medidas a serem tomadas em relação ao órgão – alvo de escândalos de corrupção. No entanto, ao ser questionado se seria óbvia a necessidade de uma “limpeza” nos cargos do ministério, o ministro confirmou. “Se for necessário, será feito”, afirmou.

De acordo com o ministro, só serão mantidos no órgão comissionados com habilidade na área. “Não vim politicamente, vim tecnicamente. Vou administrar o ministério de forma técnica. Se [o comissionado] tiver capacidade, vai ficar”, pontuou.

Para o novo ministro, sua nomeação é técnica e não atende critérios políticos. Vieira de Mello tentou reforçar essa questão justamente devido ao afastamento do seu antecessor, Helton Yomura, na última quinta-feira (5), por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo diligências da Polícia Federal (PF), no âmbito da Operação Registro Espúrio, a estrutura do ministério, até então comandado pelo PTB, era utilizada para a realização de fraudes na concessão de registros sindicais.

Yomura assumiu a pasta depois após o seu partido desistir da indicação da deputada Cristiane Brasil, filha do presidente nacional da sigla, Roberto Jefferson, para o cargo. A decisão petebista foi tomada em virtude das acusações de desrespeito aos direitos trabalhistas contra a parlamentar. No entanto, com base em investigações da PF, o ex-ministro executava, na prática, as ordens dos caciques do PTB. Após o afastamento do ex-titular do Trabalho, a legenda devolveu o ministério ao governo.

Sobre o status da pasta após os escândalos de corrupção, Vieira de Mello manteve o tom cauteloso. “Vou fazer um exame apurado de todas as situações. Mineiro é sempre precavido. E como bom mineiro, vou analisar bem o cenário e tomar as medidas necessárias”, continuou. Já quanto às acusações contra seus antecessores, afirmou preferir esperar a decisão do Judiciário.

O novo ministro também não quis entrar em detalhes acerca de temas polêmicos envolvendo a pasta, como a reforma trabalhista, a criação de postos de trabalho e a concessão de registros sindicais. De acordo com Vieira de Mello, o pedido do chefe do Executivo nacional foi no sentido de dar “agilidade ao ministério e resolver os problemas existentes no órgão”. Segundo Vieira de Mello, o interesse em assumir o posto vem de desejo pessoal, tendo em vista ter se dedicado por muitos anos ao direito trabalhista.

Temer
Em discurso durante a posse, o presidente Michel Temer afirmou entregar o comando a Vieira de Mello com “satisfação enorme”. “É um nome de grande experiência e traz para a nossa equipe décadas de atuação na seara jurídica, sobretudo na área da Justiça trabalhista, acumula conhecimento valiosíssimo neste momento em que a prioridade do nosso governo é precisamente o emprego”, destacou.

O presidente aproveitou a oportunidade para citar feitos de seu governo no âmbito do trabalho e emprego. Conforme ainda ressaltou o titular do Planalto, o novo ministro deve “levar adiante essas e outras transformações” promovidas por sua gestão. “É plena nossa confiança na capacidade técnica e em sua vocação para o diálogo”, ressaltou. Não comentou, no entanto, as polêmicas envolvendo o ministério.