Metalúrgicos marcam protesto contra acordo entre Boeing e Embraer

Mobilização está marcada para segunda-feira (14), em Brasília, e tem como objetivo pressionar governo Bolsonaro a vedar fusão das companhias

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atualizado 11/01/2019 22:49

Dirigentes dos sindicatos dos metalúrgicos dos municípios paulistas de São José dos Campos, Araraquara e Botucatu estarão em Brasília na segunda-feira (14/1) para pressionar o governo de Jair Bolsonaro (PSL) a vetar a venda da fabricante de aeronaves brasileira Embraer à norte-americana Boeing. Nessa quinta-feira (10), após se reunir com ministros e comandantes das áreas militares, além da cúpula de sua equipe econômica, o presidente da República decidiu não exercer o poder de veto para barrar as negociações.

Bolsonaro declarou, em sua conta no Twitter, estar convencido de que a transação não compromete a soberania nacional e, portanto, a União não se opunha à fusão das companhias (confira a postagem):

Representantes dos metalúrgicos pretendem ir aos ministérios da Defesa e da Casa Civil para expor as razões pelas quais o governo federal deveria vetar a venda da Embraer. Conforme argumentam, entre as consequências da operação está “a entrega de 50 anos de desenvolvimento tecnológico num setor estratégico para o país e a ameaça de fechamento de postos de trabalho”. Hoje a Embraer emprega 16 mil trabalhadores no Brasil.

Além disso, na visão das entidades, o acordo traz características que não são de uma joint venture, “mas de venda da empresa brasileira. Com isso, coloca-se em risco a soberania nacional”. Os metalúrgicos lembram que o próprio presidente Bolsonaro já havia feito ressalvas em relação à brecha do acordo que permitirá a venda dos 20% restantes da Embraer dentro de 5 anos.

“Mais uma vez, ele recuou”, acusam. “Em cinco anos termina o período de maturação das vendas do jato E2. Caso a Boeing decida tirar a aeronave do mercado e não trouxer novos projetos para o Brasil, a Embraer inevitavelmente será fechada”, disse o diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos Herbert Claros.

Regras da parceria
Durante a reunião entre o presidente e seus ministros, foram definidos alguns critérios para a parceria. Entre as decisões, estão a manutenção do nome da companhia brasileira, dos empregos no país e da produção nacional das aeronaves desenvolvidas pela Embraer. Confira os detalhes:

– Não haverá mudança no controle da companhia.
– Serão observados os interesses estratégicos e o respeito incondicional à golden share.
– Serão mantidos todos os projetos em curso da área de Defesa.
– Será mantida a produção no Brasil das aeronaves já desenvolvidas.
– Haverá recebimento de dividendos relativos aos 20% da participação da Embraer na NewCo.
– Serão mantidos os empregos atuais no Brasil.
– Será mantida a capacidade do corpo de engenheiros da Embraer.
– Haverá um caixa inicial da Embraer de, aproximadamente, US$ 1,0 bilhão de dólares.
– Haverá preservação do sigilo e da prioridade do governo em definições em projetos de Defesa.
– Serão mantidos os royalties das aeronaves A-29 e KC-390.
– Será criada uma Joint Venture para o projeto KC-390.

Luta na Justiça
Polêmica, a fusão encontra resistências. Na quarta-feira (9), o PDT entrou com uma ação na Justiça Federal de Brasília pedindo a suspensão das transações entre Boeing e Embraer. O partido solicita que a Justiça elimine os efeitos da decisão do Conselho de Administração da empresa brasileira que, em dezembro, aprovou o acordo estratégico com a companhia americana.

Os três sindicatos de São Paulo, que representam os trabalhadores da Embraer, também buscam na Justiça a suspensão das negociações entre as companhias brasileira e norte-americana. Um novo recurso foi ajuizado no dia 1º de janeiro contra decisão na qual a presidente do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3), Therezinha Cazerta, derrubou liminar obtida pelos sindicatos e que suspendia os efeitos do acordo.

“Mesmo com a decisão anunciada pelo governo federal, continuaremos lutando para barrar a entrega da Embraer. Nesta operação que está em curso, somente a Boeing sairá ganhando. É obrigação do governo brasileiro defender os interesses do nosso país, e não dos Estados Unidos”, conclui o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, Weller Gonçalves.

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