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Apesar de aparecer em primeiro lugar nas pequisas de intenção de voto para a Presidência da República, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ficou fora da lista de convidados para um evento que reúne, em São Paulo, empresários e investidores brasileiros e internacionais e os pré-candidatos nas eleições de outubro. Até ano passado, Lula estava presente na relação de convidados do encontro. Com cerca de 2,5 mil pessoas, o 19º CEO Conference promove discussões sobre os rumos da economia. A informação é do jornal O Globo.

Diante da possibilidade de prisão do petista, um discurso ganhou corpo nos últimos dois dias entre os financistas:

“Não queremos ouvir o que o Lula tem hoje para dizer” disse um dos convidados do evento, promovido pelo banco BTG, repetindo um mantra corrente no luxuoso hotel que reuniu o grupo. “O melhor dos mundos é Lula fora da corrida presidencial.”

De acordo com a reportagem, os empresários arriscavam, em rodinhas de bate-papo, o prognóstico que eles consideram mais viável para acelerar a economia brasileira. Acreditam que, se Lula não participar da eleição, aumentam as chances de uma candidatura de centro, segundo eles, mais afinado com o setor produtivo.

O temor entre os empresários é de que Lula infle, durante eventual campanha, o discurso contrário à reforma previdenciária. Eles consideram que o petista tem, hoje, uma massa de votos proveniente justamente dos trabalhadores, principalmente no Norte e Nordeste, e sua posição poderia dificultar a aprovação da reforma no Congresso.

Na terça-feira (6/2), os convidados ouviram o pré-candidato do PSC, Jair Bolsonaro, que deve mudar de partido para disputar a Presidência. Assim como os demais convidados, Bolsonaro foi aplaudido e cumprimentado ao final de sua apresentação. Segundo O Globo, ao contrário dos demais, o candidato foi quem mais fez a plateia rir, principalmente quando ironizou comentários sobre seus conhecimentos sobre o tema discutido no evento: “nem sei o que estou fazendo aqui, já que eu não entendo nada de economia”.

O texto afirma que os investidores internacionais também teriam mostrado interesse nas palavras do Bolsonaro, esperando que eles fossem convencidos de sua proposta para o setor, o que não teria acontecido nesse primeiro momento. O economista Paulo Guedes é visto como uma espécie de “assessor” para assuntos econômicos do candidato. Guedes é hoje dono da Bozano Investimento e foi fundador do Pactual, banco que se fundiu ao BTG, a instituição responsável pelo evento nesses dois dias.

 

Também participaram do evento o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e o presidente da Câmara dos Deputado, Rodrigo Maia (DEM-RJ). No entanto, os radares pareciam voltados para dois nomes ausentes, o apresentador Luciano Huck e o governador Geraldo Alckmin. Ambos alegaram incompatibilidade de agendas.

“O nome de um outsider também deve ser considerado, ainda mais se apresentar uma política pró-reformas”, reiterou um convidado.

 

 

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