Líder do governo diz que PSL teria acabado sem Bolsonaro

Vitor Hugo se reuniu com o presidente nesta segunda-feira e sairá em busca de mais apoio dentro da legenda para presidente

Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência BrasilFabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

atualizado 14/10/2019 13:52

Após se reunir com o presidente Jair Bolsonaro (PSL) nesta segunda-feira (14/10/2019), o líder do governo na Câmara, Major Vitor Hugo (PSL-GO), disse que o partido provavelmente teria acabado se não tivesse servido de legenda para a eleição do chefe do Executivo, considerando a cláusula de desempenho exigida pela Justiça Eleitoral.

O líder lembrou que a sigla tinha apenas um deputado, mas acabou se tornando a segunda bancada da Câmara federal nas últimas eleições. Com isso, o partido passou a administrar volume de cerca R$ 700 mil mensais do fundo partidário. Agora, em meio à crise com o dirigente nacional do PSL, o deputado Luciano Bivar (PE), o mandatário do país cobra prestação de contas na gestão do fundo.

“O momento é de tomar ciência de onde os recursos do PSL estão sendo empregados. Houve uma mudança muito grande da legislatura passada para a dimensão do partido nesta legislatura. O partido, que só tinha um deputado federal no começo da legislatura passada, tem mais de 50 (deputados) agora”, frisou. “O fundo partidário aumentou, o fundo eleitoral vai aumentar também e é importante que nós todos e a sociedade brasileira, também os deputados federais do próprio partido e também, lógico, para o presidente da República, que é figura principal do partido, tenhamos segurança de que os recursos estejam sendo empregados da melhor maneira possível”, completou o parlamentar, ao sair da reunião.

Racha
O deputado também admitiu divisão bastante clara na legenda entre apoiadores e críticos a Bolsonaro. “O que posso dizer é que, para quem está desse lado, na minha perspectiva, e eu posso falar por mim, é a manutenção do vínculo e da lealdade com o presidente. O PSL teria muito provavelmente acabado se não tivesse dado o mandato para o presidente, devido à cláusula de desempenho que foi imposta pela lei”, disse Vitor Hugo.

“Havia outros partidos, à época, que sinalizaram para que o presidente mudasse de sigla, assim como hoje, diante do que está acontecendo, o sinal para possível ida do presidente para esses partidos”, disse o deputado, sem citar as legendas. “A equação ainda está muito complexa, faltam dados para serem divulgados para a gente poder deixar de falar em hipóteses e falar em algo mais concreto”, pontuou.

O líder afirmou ainda que uma possível saída do chefe do Executivo federal, junto com a ala do partido que o apoia, só será decidida após todos tomarem ciência da prestação de contas sobre os recursos do fundo partidário destinados à legenda. A ala bolsonarista, que se mostrou minoritária no documento de apoio a Bolsonaro na semana passada, alega falta de transparência do dirigente nacional da sigla, deputado Luciano Bivar, na gestão dos recursos.

Vitor Hugo adiantou ainda que não sabe avaliar agora se Bolsonaro sairá ou ficará no partido. “Não sei qual decisão o presidente vai tomar”, assinalou.

Na mesa
O parlamentar informou que ficou sabendo da proposta de se abrir mão do fundo partidário em troca da manutenção dos mandatos pela imprensa. Salientou ainda que é preciso uma conversa do grupo bolsonarista para avaliar a credibilidade e a conveniência da oferta.

“É uma opção que está na mesa e é importante que a gente tenha primeiro o acesso a esses pedidos para fazer uma avaliação mais completa. Enquanto a gente não tiver resposta aos pedidos que foram feitos, vai ficar falando sobre hipóteses”, opinou. “Não consigo avaliar ainda o grau de certeza dessa oferta”, destacou.

Segundo o líder, a lista de apoiadores de Bolsonaro dentro do PSL deve crescer nos próximos dias. “A semana está começando e a gente vai ter oportunidade de conversar com a outra ala do PSL”, ressaltou.

“Tem muita gente que não aderiu ou não teve tempo de se manifestar. Foram 21 deputados que aderiram e que deram procuração para que os advogados entrassem. Tenho certeza de que outros deputados que, se tivessem tido oportunidade, teriam assinado, mas tudo foi feito de maneira muito rápida, no fim da semana passada. De forma que temos de esperar o desenrolar da semana com as conversas que vão acontecer e, se Deus ajudar, com a liberação desses documentos, com a prestação de contas, para a gente tomar uma decisão”, salientou.

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