Lava Jato: ataques de hackers a procuradores ocorrem desde abril

"O modo de agir agressivo, sorrateiro e dissimulado do criminoso é um dos pontos de atenção da investigação", diz nota da Força-Tarefa

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atualizado 10/06/2019 17:54

A Força-Tarefa da operação Lava Jato divulgou nota nesta segunda-feira (10/06/2019) para prestar esclarecimentos sobre as investigações o hacker que praticou os “mais graves ataques à atividade do Ministério Público Federal“. Segundo o grupo, os ataques cibernéticos aos procuradores ocorrem pelo menos desde abril deste ano. A nota afirma que houve invasões e clonagens de aparelhos celulares e contas em aplicativos de troca de mensagens.

“Assim que identificadas as tentativas de ataques contra seus celulares, os procuradores da Lava Jato comunicaram a notícia do crime à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República, no objetivo de obter uma ação coordenada na apuração dos fatos”, diz o comunicado.

Os procuradores ressaltam que o invasor aproveitou falhas estruturais na rede de operadoras de celulares. O hacker também teria clonado números de celulares e efetuou ligações aos aparelhos dos membros do MPF.

“Para tanto, valeu-se de ‘máscaras digitais’, indicando como origem dessas ligações diversos números, como os dos próprios procuradores, os de instituições da República, além de outros do exterior”, diz a nota.

“As ligações eram feitas durante a noite com o objetivo de identificar a localização da antena (ERB) mais próxima do aparelho celular, viabilizando assim a intrusão, além de fazer com que o ataque não fosse descoberto”.

O hacker ainda teria se passado por procuradores e jornalistas em conversas com outros integrantes do MPF, no “propósito rasteiro” de obter a confiança de seus interlocutores e conseguir mais informações.

Intuito hediondo
“O hacker ainda tentou fazer contato com alguns procuradores utilizando-se de identidade virtual falsa e com tom intimidatório, mas suas investidas não foram aceitas pelos procuradores. Além disso, foram identificadas tentativas de ataques cibernéticos a familiares próximos de procuradores, o que reforça o intuito hediondo do criminoso”, destaca a nota da Força-Tarefa.

O texto ainda reitera que a Procuradoria-Geral da República determinou, no dia 14 de maio, a instauração de um procedimento administrativo para acompanhar a apuração de tentativas de ataques cibernéticos a membros do Ministério Público Federal, sobretudo procuradores que integram a Lava Jato.

Junto à PGR, foram ainda determinadas providências à Secretaria de Tecnologia da Informação e Comunicação (STIC) no sentido de diagnosticar eventuais ataques e resolver o problema de forma definitiva. “As investigações nos diversos âmbitos prosseguem”, afirmam os procuradores.

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