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Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Superior Tribunal de Justiça (STJ), além de outros magistrados, funcionários de tribunais e advogados, viajaram em comitiva de duas dúzias de pessoas para Nova York no começo deste mês. Entre compromissos oficiais, os juízes, acompanhados dos respectivos assessores e familiares, aproveitaram para ir às compras e desfrutar de benefícios com as despesas custeadas.

A viagem, de quatro dias, foi revelada e relatada pela revista Crusoé.

Nesta edição do evento – já tradicional no calendário dos magistrados – estiveram presentes Gilmar Mendes e Dias Toffoli, do STF; Luís Felipe Salomão, João Otávio de Noronha, Ricardo Villas Bôas Cueva e Mauro Campbell Marques, do STJ; entre outros.

Enquanto era feriado de Finados no Brasil, um seminário promovido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e pela Universidade de Columbia foi o responsável por reunir parte da cúpula do Judiciário brasileiro. O evento teve o apoio do jornal Financial Times, da Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos e da CLS Brazil, uma associação de brasileiros que estudam ou já estudaram na universidade norte-americana.

A demonstração do real interesse de alguns integrantes da comitiva com a viagem pode ser notado a todo instante. Enquanto o evento transcorria com a presença de um juiz americano, por exemplo, um brasileiro calculava, no verso do folheto com a programação, o quanto pagaria com impostos para voltar ao Brasil com tantas compras. “Deu duzentos e poucos [dólares]”, relatou a outro participante do seminário, conforme a publicação.

Esse tipo de evento serve para ensejar uma aproximação com os juízes supremos do Brasil. “Um networking que não tem preço”, na definição de um advogado participante.

Um jantar promovido por um dos advogados tributaristas mais renomados do país também dá o tom da excursão dos magistrados. O encontro é tratado pelos participantes como parte imperdível da programação. É o “jantar do Arnoldo”, de Arnoldo Wald, que estava na platéia do seminário e fora mencionado em uma das mesas.

Os promotores de seminários dessa natureza “não pagam honorários pelas palestras”, mas custeiam a viagem em contrapartida. É o chamado “benefício colateral”, um “plus” para magistrados e seus acompanhantes. A diária do hotel ocupado pelos magistrados, por exemplo, parte de US$ 500 (cerca de R$ 2 mil).