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Após o pedido de explicações do ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), ao diretor-geral da Polícia Federal (PF), Fernando Segovia, sobre declaração referente ao inquérito contra Michel Temer (MDB), aliados do Palácio do Planalto saíram em defesa do presidente. Ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun (MDB) afirmou que a origem da investigação é “evidentemente política” e seria errado se “houvesse insistência” no procedimento, “mesmo diante da inexistência de indícios ou provas”. As informações são do jornal O Globo.

“O diretor [Fernando] Segovia teve suas razões para fazer uma declaração como esta. Eu tenho a mais absoluta certeza da inexistência de qualquer tipo de indício ou prova contra o presidente. Errado seria se, mesmo diante da inexistência de indícios ou provas, houvesse insistência em cima de um procedimento cuja origem é evidentemente política”, avaliou Marun, acrescentando: “Acredito que ele [Fernando Segovia] prestará os esclarecimentos [ao STF]”.

Em entrevista à Reuters publicada neste sábado (10/2), o diretor da PF afirmou não haver indícios de a Rodrimar ter sido beneficiada pelo “decreto dos portos”, editado em 2017. A PF apura se a medida que ampliou para 35 anos as concessões do setor favoreceu a empresa. Além de Temer, são investigados o ex-assessor da Presidência Rodrigo Rocha Loures, o presidente da Rodrimar, Antônio Grecco, e o diretor da empresa Ricardo Mesquita.

As declarações do diretor-geral da PF foram repudias pela Federação Nacional dos Policiais Federais, que pediu “retratação pública” do gestor. Segovia também foi duramente criticado por entidades como Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF), sindicato e associação dos Delegados de Polícia do estado de São Paulo e sindicato dos delegados federais paulistas.

Exagero
O vice-líder do MDB na Câmara dos Deputados, deputado Mauro Pereira (RS), considerou a reação exagerada. Para o parlamentar, Segovia não agiu com “maldade”. “Achei que foi muito destaque. Na minha opinião, seria natural a PF dar sua manifestação. Na época que o diretor era o Leandro Daiello, por muitas vezes ele se manifestou. Ele [Segovia] não fez por maldade”, disse.

“Se nós formos levar em consideração tudo o que foi falado durante a tramitação de inquéritos, com certeza não vai sobrar ninguém nessas instituições. Isso porque o Brasil, infelizmente, é o país do vazamento”, completou o parlamentar, em referência aos vazamentos de conteúdos de delações premiadas.
 

 

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