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Circula na internet imagem de uma suposta pesquisa do Instituto Opinar (foto abaixo) que colocaria o candidato Jair Bolsonaro (PSL) com 59,67% das intenções de voto no Brasil. Segundo o texto que acompanha a imagem, a pesquisa foi feita pela Record e conclui: não haverá segundo turno. Por meio do projeto de verificação de notícias, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:

“Pesquisa feita pela Record [indica que] […] não haverá segundo turno […]”
Imagens publicadas no Facebook, aqui e aqui, com pelo menos 150 compartilhamentos até as 15h30 do dia 6 de outubro de 2018

A pesquisa mencionada nas imagens teve os números adulterados. O levantamento do Instituto Opinar realizado nas datas descritas – 13 a 16 de setembro – diz respeito apenas ao eleitorado do estado do Piauí. O levantamento mostrava Jair Bolsonaro (PSL) com 13% das intenções de voto – e não 59,67%. Ele estaria empatado com Ciro Gomes (PDT) em segundo lugar. Fernando Haddad (PT) era quem liderava as intenções de voto, com a preferência de 41,87% dos entrevistados. Além disso, a pesquisa, registrada no Tribunal Superior Eleitoral no dia 12 de setembro, não foi encomendada pela Record TV.

A pesquisa eleitoral divulgada pela Record mais recentemente foi publicada na última sexta-feira (5/10), mas ela não foi realizada pelo Instituto Opinar, e sim pelo Instituto Real Time. O levantamento apontou Bolsonaro com 40% dos votos válidos, percentual que não garantiria a vitória em um primeiro turno. O candidato à Presidência pelo PSL é seguido por Haddad (28%), Ciro (14%), Alckmin (7%) e Marina (5%).

Vale ressaltar que o Instituto Opinar realizou uma nova pesquisa, a qual foi divulgada no dia 4 de outubro, e também não condiz com a imagem difundida nas redes sociais. Neste levantamento mais recente, Haddad aparece com 56,93% dos votos, Bolsonaro com 14,70% e Ciro Gomes com 9,80% – mas os resultados também refletem a preferência apenas do eleitorado do Piauí, ou seja, não têm validade nacional.

*Nota: esta reportagem faz parte do projeto de verificação de notícias no Facebook. Dúvidas sobre o projeto? Entre em contato direto com o Facebook.

Com reportagem de Clara Becker