*
 

Na véspera do julgamento previsto no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o inquérito em que é denunciado pela Procuradoria-Geral da República por corrupção passiva e tentativa de obstrução da Lava Jato, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) diz, em artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo, que, no país, todos os políticos são considerados, de antemão, culpados.

Aécio foi denunciado após ter aparecido em gravação do dono da JBS, Joesley Batista, pedindo R$ 2 milhões, que a PGR sustenta ser propina e o senador nega, alegando que o dinheiro foi resultado de um empréstimo firmado entre ele e Joesley.

Se a denúncia for acatada nesta terça-feira (17/4) pelo STF, o senador mineiro passa a ser réu. Além de Aécio, sua irmã Andrea Neves, seu primo Frederico Pacheco de Medeiros e o advogado Mendherson Souza Lima foram denunciados pela prática do crime de corrupção passiva.

No artigo publicado na Folha, Aécio diz que, em 2017, precisou contratar advogados e, então, sua mãe colocou um apartamento à venda porque ele não possuía os recursos necessários para cobrir os custos com a defesa. Sua irmã ofereceu o imóvel a alguns empresários, incluindo Joesley Batista.

O senador mineiro diz que a PF recuperou um telefonema, não citado pelo delator, no qual fica claro o objetivo do contato feito: a venda do imóvel. Ele disse estar profundamente arrependido de ter usado, “numa conversa criminosamente gravada e induzida por Joesley”, vocabulário inadequado e fazer “brincadeiras injustificáveis e de mau gosto”. “Fui ingênuo, cometi erros e me penitencio diariamente por eles, mas não cometi nenhuma ilegalidade”, argumenta Aécio.