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Os pré-candidatos do PRB, Flávio Rocha, e do PC do B, Manuela D’Ávila, foram sabatinados pela revista IstoÉ nas últimas semanas. O ex-presidente da Riachuelo deslizou ao falar sobre ranking de competitividade mundial e território e segurança, enquanto a deputada estadual do Rio Grande do Sul exagerou dados sobre pesquisas de intenção de votos, segurança e eleições antigas. Veja o resultado da checagem:

“Hoje as pesquisas mostram um percentual de apoio [à posse de armas] de mais de 80%”
Flávio Rocha, pré-candidato à Presidência pelo PRB, na sabatina da revista IstoÉ, no dia 31 de maio de 2018

Segundo o Datafolha, em janeiro de 2018, 42% dos brasileiros achavam que ter uma arma de fogo para se defender era um direito do cidadão. Outros 56% dos entrevistados acreditavam que a posse de armas deveria ser proibida, pois representaria ameaça à vida.

As mulheres são as que mais rejeitam a ideia de liberar a posse de armas: 65% delas achavam, em janeiro deste ano, que isso deveria ser proibido. Em contrapartida, 53% dos homens ouvidos apoiaram o armamento.

Entre as regiões do país, o Norte é o que mais apoia a liberação (51% dos entrevistados são a favor), enquanto o Sudeste é o que mais rejeita.

Nenhum recorte da pesquisa mais recente sobre o tema aponta que haja uma aprovação de 80% ao armamento no país, como citado por Rocha.

Procurado, Flávio Rocha afirmou que sua declaração tem como referência o resultado registrado no Rio Grande do Sul no referendo sobre a proibição de armas, realizado em 2005. Na ocasião, segundo o pré-candidato, 79,59% da população do estado gaúcho votou a favor da liberação da posse de armas.

“No Pará, apenas 3% dos homicídios (…) foram elucidados”
Manuela D’Ávila, deputada estadual (RS) e pré-candidata à Presidência da República pelo PCdoB, na sabatina da revista IstoÉ, no dia 4 de junho de 2018

Um estudo feito pelo Instituto Sou da Paz e lançado em 2017 mostra que o Pará esclareceu 4,3% dos 3.324 homicídios registrados no estado em 2015. Trata-se do dado mais recente sobre o assunto.

Pela metodologia adotada pelo Sou da Paz, um homicídio é considerado “esclarecido” quando o criminoso é denunciado pelo Ministério Público.O instituto buscou informações em todas as unidades da federação no intuito de criar um Indicador de Esclarecimento de homicídios único e “adequado” à realidade brasileira. Apenas seis estados responderam a pesquisa. O Pará foi um deles.

Procurada, Manuela não retornou.

“Nós temos apenas 7,8% do nosso território ocupado com a agricultura”
Flávio Rocha, pré-candidato à Presidência pelo PRB, na sabatina da revista IstoÉ, no dia 31 de maio de 2018

O dado mais recente do Banco Mundial mostra que, em 2015, 33,8% do território brasileiro era ocupado pela agricultura. Os 7,8% citados por Rocha se aproximam do número divulgado em 2017 pela Nasa, a agência espacial norte-americana, para o percentual do solo brasileiro ocupado por lavouras. No entanto, as áreas de agricultura não são apenas as plantações, mas também pastagens, pomares, hortas e outros espaços ocupados pela produção de alimentos.

Procurado, Flávio Rocha afirmou, através de sua assessoria, que se baseou no estudo da Nasa citado pela Lupa.

“Na região Sul do Brasil, eu já pontuo com 7% [das intenções de voto]. Entre os jovens, eu tenho 5%”
Manuela D’Ávila, deputada estadual (RS) e pré-candidata à Presidência da República pelo PCdoB, na sabatina da revista IstoÉ, no dia 4 de junho de 2018

No último levantamento feito pelo Datafolha sobre a eleição presidencial, divulgado em abril, Manuela D’Ávila aparece em nove cenários. Em quatro deles, a pré-candidata, de fato, tem 7% das intenções de voto na região Sul (página 34). Nos outros cinco, Manuela tem um percentual menor de intenções de voto: entre 4% e 6%.

Entre os jovens, Manuela tem 5% das intenções de voto em três dos nove cenários pesquisados. Em outros três, tem percentual inferior (de 3% ou 4%) e, em outros três, maior (de 6%).

Procurada, Manuela não retornou.

Com reportagem de Leandro Resende e Nathália Afonso
Edição de Natália Leal e Cris Tardáguila

 

 

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