Filho de Witzel lamenta relação com pai: “Queria que fosse diferente”

Durante as eleições, Erick Witzel criticou o agora governador do Rio de Janeiro por citar em entrevista o fato de o jovem ser transgênero

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atualizado 17/06/2019 18:45

Erick Witzel aproveitou o domingo (16/06/2019), de comemoração do Dia dos Pais em vários países, para tentar uma reaproximação com o pai, o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC). Ambos já trocaram farpas enquanto o político era candidato no último pleito. Na ocasião, Erick sentiu-se usado ao ver a sua condição de transgênero ser citada pelo pai em entrevistas, sem autorização.

Em outro momento, o jovem se posicionou contra o pai no episódio em que ele aparece junto ao deputado estadual Rodrigo Amorim, que quebrou a placa com o nome da vereadora assassinada Marielle Franco. Erick também não compareceu à posse de Wilson Witzel.

Na mensagem publicada nesse domingo (16/06/2019), o filho do governador do Rio de Janeiro admite que gostaria de ter uma história diferente. “Palavras ditas, vindo (sic) de um lugar de muita indignação, tanta coisa aconteceu que eu não saberia nem por onde começar”, escreveu.

Em uma das duas fotos postadas por Erick, um porta-retrato com duas mãos fazendo um coração e a frase: “Te amo de perto, de longe e para sempre…”. “Essa foto, nesse porta retrato, sempre esteve comigo e eu olho para ela, imaginando como as coisas eram tão simples tempos atrás”, diz.

“Olhando hoje, com calma, poderíamos ter resolvido entre nós, mas não foi assim. Não dá para voltar atrás e mudar o passado, mas dá para (re)começar agora e fazer um outro final. Brega, mas é verdade”, completa.

Em seguida, Erick volta a afirmar que discorda de boa parte das ideias do atual governador do Rio de Janeiro, mas reconhece que não deve ignorá-lo. “Realmente, eu discordo de quase tudo dele, mas que bem eu faço ignorando? Vetando qualquer diálogo? Por quanto tempo a gente se falaria pela mídia?”

 

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É dia dos pais hoje em outra parte do mundo e vendo tantas fotos e declarações de amor, me fizeram pensar em como eu gostaria que nossa história fosse diferente. Essa foto, nesse porta retrato, sempre esteve comigo e eu olho pra ela, imaginando como as coisas eram tão simples tempos atrás. Só Deus sabe como foi esse último ano. Olhando hoje, com calma, poderíamos ter resolvido entre nós, mas não foi assim. Palavras ditas, vindo de um lugar de muita indignação, tanta coisa aconteceu que eu não saberia nem por onde começar. A segunda foto é de 2016, pouco antes de tudo começar a mudar. Por esses dias eu ouvi o seguinte: “mesmo que eu e meu pai não concordássemos em nada, eu daria tudo para tê-lo aqui, por perto.” Foi um tapa na cara. E realmente, eu discordo de quase tudo dele, mas que bem eu faço ignorando? Vetando qualquer diálogo? Por quanto tempo a gente se falaria pela mídia? Cabe aquele clichê antigo: não dá pra voltar atrás e mudar o passado, mas dá pra (re)começar agora e fazer um outro final. Brega, mas é verdade. Não mudaria nada que passou, porque foi preciso, pra amadurecer, pra entender. Mas estou cansado de brigar, de alimentar sentimentos ruins. Gostaria que ele pensasse diferente, agisse diferente, mas só o que eu posso fazer agora é mostrar outro lado, explicar, conversar, tentar. Nós, todos nós, precisamos de paz, precisamos de entendimento. Que os pais possam aceitar os filhos, que os filhos possam se sentir seguros. Não vou abandonar meus ideais, nem deixar de defender os direitos humanos e a comunidade LGBT+. Preciso abrir esse caminho de diálogo, não só por mim, mas por todos que vivem situações semelhantes. Depois das últimas eleições, não é algo que possa ser ignorado ou alimentado com ódio, está tudo escancarado e por mais que nos escandalizemos, precisamos lidar com o que estamos vivendo.

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