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O ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Eros Grau, que foi torturado nos porões do DOI-Codi durante a ditadura militar (1964-1985), fez uma avaliação sobre as declarações do comandante do Exército, general Villas Bôas, não representam ameaça à democracia. “Ele fez um comentário. O país vive momento de grande expectativa. Para mim, o importante é que haverá ordem. Isso não implica passar por cima do preceito institucional”, disse.

Na época da ditadura, Eros militava no PCB, o “Partidão”, e atuava como advogado de perseguidos pelo regime. Não participou da luta armada. Nos anos de chumbo, quando o país era comandado pelo general Emílio Garrastazu Médici, o ex-ministro passou uma semana no DOI-Codi, em São Paulo, o mais famoso centro de tortura da ditadura. Foi indicado para o Supremo, em 2004, pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que terá o pedido de habeas corpus julgado pela Corte nesta quarta-feira (4/4).

O comandante do Exército escreveu, na noite de terça (3), que a instituição compartilha “o anseio de todos os cidadãos de bem de repúdio à impunidade e de respeito à Constituição, à paz social e à democracia, bem como se mantém atento às suas missões institucionais.”

Os que defendem a mensagem de Villas Bôas endossam o discurso de ordem em defesa da rejeição do pedido de habeas corpus do ex-presidente Lula. Já os críticos das declarações alegam não caber ao Exército interferir em questões do Judiciário ou dos outros Poderes.

 

 

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