Categorias: Política

Especialistas avaliam eleições 2020, as primeiras sem coligações

Pela primeira vez sem coligações para os pleitos proporcionais, as eleições deste ano, segundo especialistas ouvidos pelo Metrópoles, podem favorecer candidaturas personalistas e partidos com capilaridade e estruturas mais consolidadas. Como consequência da mudança de regra, o Brasil também deve assistir a uma pulverização da disputa, com número recorde de candidaturas.

“Vai ser uma eleição inchada por conta do fim das coligações, o que deve fazer com que partidos com mais estrutura, dinheiro e mobilização de base consigam colocar mais nomes na urna do que os outros”, aponta o mestre em Ciência Polícia e sócio da consultoria Arko, Lucas de Aragão.

Além dos maiores partidos e dos nomes muitos populares, ele aposta que terão vantagem grupos identificados com pautas específicas. “Grupos temáticos — evangélicos, membros da bancada da bala, agropecuária etc. — já têm narrativa pronta e mais facilidade de chegar ao seu público-alvo.”

“Nós vamos testar o fim das coligações. Do ponto de vista do fim das alianças, pode significar um número muito maior de gente na disputa — há quem estime que tenhamos 1 milhão de candidatos. Pode haver uma pulverização e virar uma guerra interna nos partidos”, destacou o cientista político Humberto Dantas.

Polarização Bolsonaro e Lula

Comentando a polarização, em nível nacional, entre o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o PT, representado principalmente pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, eles apostam que a tendência é que esse cenário esquerda x direita seja visto mais fortemente apenas em cidades maiores.

“São mais de 5,5 mil cidades no país, então a gente não vai assistir uma reprodução dessa polarização nos municípios porque eles têm suas próprias características”, destacou Humberto.

Ele chama atenção para o fato de que as disputas nos municípios costumam envolver realidades locais que, muitas vezes, aliás, independem de partidos. “Normalmente, nelas, grupos fortes não se restringem a uma legenda, são grupos que controlam a política local e vão dominar esses partidos de acordo com uma lógica própria.”

“Nem sempre o futuro de uma eleição federal pode ser previsto a partir da municipal. Em 2016, o PSDB teve uma grande vitória eleitoral e isso não se traduziu em força em 2018, tanto que o Geraldo Alckmin (ex-governador de São Paulo) teve uma votação muito ruim (4,76% dos votos válidos)”, concordou Lucas. Ainda assim, destacou, “algumas cidades são chave para a eleição federal”.

Esquerda: “momento decisivo”

Outra avaliação de Lucas é de que a próxima eleição será o “momento de definição” para a esquerda brasileira. “No ano passado, o Lula conseguiu transferir seu capital político. Agora, ele vai ser testado: sua capacidade de mobilização causa dúvidas; as bases históricas do partido têm perdido força; há outras siglas de esquerda criticando o Lula, membros do PT fazendo autocrítica, se afastando da retórica tradicional e tendo uma postura pragmática”, destacou.

“A gente pode ter o PT num resultado melhor do ponto de vista numérico, mas não do ponto de vista de qualidade. Vão ter dificuldades em capitais, vejo o partido pouco competitivo — o melhor desempenho deve ser no Nordeste”, completou.

A leitura de Humberto é de que o Partido dos Trabalhadores, ainda que tenha ido para o segundo turno em 2018, “não ofereceu nenhuma grande reflexão acerca da sua agenda”. Ele vê um potencial de crescimento do PSol, que deve disputar com o deputado federal Marcelo Freixo a Prefeitura do Rio de Janeiro. “Tem aparecido bem, mas tem limitações, especialmente de estrutura e dinheiro.”

Por outro lado, Lucas avalia que, mesmo que o PSol saia fortalecido, a consolidação desse processo dependeria do sucesso da gestão de Freixo. “O PRB, por exemplo, que elegeu o Marcelo Crivella (atual prefeito do Rio), vinha de um crescimento do número de prefeitos, tinha uma boa organização entre os evangélicos, mas o fato de a gestão de Crivella ser impopular e criticada, acabou virando um problema”.

“Por outro lado, o Novo, por exemplo, pegou um estado quebrado, que é Minas Gerais, com o Romeu Zema, e ele está indo bem. É uma oportunidade, mas um risco também”, apontou.

Bolsonaro

O presidente terminou 2019 com um plano ousado, depois de romper com o partido pelo qual foi eleito em 2018: viabilizar a criação de uma nova legenda, a Aliança pelo Brasil. Os especialistas classificam o movimento como “arriscado”. “Ele vai ser muito questionado porque, para conseguir criá-lo a tempo, ele vai ter que manobrar”, pontuou Humberto.

Soma-se à questão eleitoral o fato de que, na avaliação de Humberto, Bolsonaro sequer dá a devida importância às eleições municipais. “Ele nunca foi um deputado de atendimento de bases, mas, sim, de causas, as dos militares. O presidente é, na verdade, um antimunicipalista, ele não tem visão estratégica dessas eleições”, defendeu.

Já o PSL, sem o presidente e com um racha interno, não deve repetir o mesmo desempenho eleitoral do ano passado.

MDB

Maior partido do Brasil em número de filiados e de prefeituras, a estrutura do MDB pode favorecê-lo — o mesmo não se pode dizer, contudo, da imagem pública dos integrantes, afetados especialmente pela Operação Lava Jato.

Nos últimos anos, foram alvos desde o ex-presidente Michel Temer; passando pelo senador Renan Calheiros, que presidiu por quatro vezes o Senado Federal; o ex-senador Romero Jucá; o ex-ministro da Moreira Franco; entre outros.

“É a eleição dele, o MDB não dorme em eleição municipal, tem noção da importância desse pleito. É o mais estruturado, é quem mais tem diretórios no país, mas é um partido velho”, apontou. Para Lucas, a perspectiva é de que o MDB “sofra, mas se mantenha grande”.

PSDB

Em 2016, o PSDB estava no céu: capitalizando o sentimento antipetista e na dianteira do processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). O partido foi o que mais cresceu, em comparação com o pleito anterior. Eles saíram de 695 prefeitos em 2012 para 793 vitórias naquele ano.

Agora, os especialistas são unânimes em dizer que o resultado dificilmente se repetirá. “O partido vem de uma série de acusações e, além disso, em 2016 não existia a onda bolsonarista. Muitos dos antigos eleitores tucanos migraram para o presidente”, pontuou Lucas.

“E outra: muitos que votaram no Bolsonaro não votaram para elegê-lo, votaram para impedir o outro lado. E o antipetismo estava na mão do PSDB, mas não está mais.”

Bruna Aidar

Formada pela Universidade Federal de Goiás (UFG), cobre Senado e política nacional pelo Metrópoles, onde está desde outubro de 2019. Antes, foi setorista da Assembleia Legislativa no jornal O Popular, em Goiás, atuando ainda na cobertura do Governo Estadual, do Judiciário e das instâncias municipais. Foi repórter também no Jornal Opção Online.

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