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Eleito governador do Rio de Janeiro no último domingo (28/10), Wilson Witzel deu sua primeira entrevista ao programa Estúdio I, da GloboNews, na terça-feira (30/10). O ex-juiz federal obteve 59,87% dos votos válidos no estado. A Lupa checou algumas das declarações dele. Veja:

“O primeiro ponto do plano de governo do Jair Bolsonaro é investigar a lavagem de dinheiro”. Wilson Witzel, governador eleito do Rio de Janeiro, em entrevista à Globonews no dia 30 de outubro de 2018

O programa de governo do presidente eleito, Jair Bolsonaro, não coloca a lavagem de dinheiro como a prioridade de seu futuro governo. A página 12 do documento registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) traz as questões que serão consideradas como “desafios urgentes” por sua gestão, e a lavagem de dinheiro não está explicitamente entre elas. Além disso, a linha de ação do governo Bolsonaro para a segurança pública indicada no plano registrado durante a campanha prioriza, de forma ampla, o “enfrentamento do crime” e o “combate à corrupção.”

Atualização às 11h28 do dia 01 de novembro de 2018: Em nota, a assessoria de Witzel disse que o combate a corrupção “pressupõe como condição essencial a investigação da lavagem de dinheiro”.

“Tem partidos que, pela cláusula de barreira, vão ser extintos”. Wilson Witzel, governador eleito do Rio de Janeiro, em entrevista à Globonews no dia 30 de outubro de 2018

A cláusula de barreira não prevê a extinção de partidos. A Emenda Constitucional 97, promulgada em outubro de 2017, determina que partidos deixem de receber recursos do fundo partidário e não tenham mais direito à propaganda gratuita no rádio e na televisão caso não atinjam um número mínimo de votos para deputado federal. Em 2018, os partidos precisaram eleger pelo menos nove deputados em nove estados diferentes ou receber 1,5% dos votos totais, atingindo a marca de 1% em, no mínimo, nove estados.

Com as novas regras, a estimativa é de que 14 partidos percam seu acesso ao fundo partidário. Assim, embora a emenda não preveja a extinção, ela pode estimular a fusão ou desaparecimento de legendas ao acabar com suas fontes de recurso.

Atualização às 11h28 do dia 01 de novembro de 2018: Em nota, a assessoria de Witzel declarou que um partido que deixa de receber dinheiro e não tem acesso à propaganda gratuita tende a acabar, e que isso ficou claro na fala do candidato.

“Eu me comprometi [a] olhar pessoalmente a investigação [do assassinato de Marielle Franco]” Wilson Witzel, governador eleito do Rio de Janeiro, em entrevista à Globonews no dia 30 de outubro de 2018

No dia 18 de outubro, durante o debate com Eduardo Paes (DEM) promovido pela Band, Witzel afirmou que o assassinato da vereadora do Rio de Janeiro Marielle Franco (PSOL) seria investigado a fundo. “Eu vou pessoalmente ajudar com meus conhecimentos na área de homicídios”, disse o então candidato. Marielle foi morta a tiros em março na área central da capital fluminense.

Mas, no dia 7 de outubro, o ex-juiz afirmou que o caso seria “tratado exatamente como qualquer outro”. No mesmo dia, começaram a circular, em redes sociais, imagens que mostravam Witzel em um ato de campanha antes do primeiro turno ao lado de dois candidatos a deputados pelo PSL que quebraram uma placa com o nome da ex-vereadora. Nas primeiras imagens do comício, o candidato ao governo não aparecia.

Atualização às 11h28 do dia 01 de novembro de 2018: Em nota, a assessoria de Witzel declarou que o governador eleito é “contra a intolerância e que o caso de Marielle, assim como outros assassinatos, será investigado com rigor e terá resultados efetivos”.

“Liguei ao professor Tarcísio e falei: ‘professor Tarcísio, receba a minha solidariedade, jamais compactuei com qualquer estímulo a intolerância’”. Wilson Witzel, governador eleito do Rio de Janeiro, em entrevista à Globonews no dia 30 de outubro de 2018

Witzel, de fato, telefonou para o ex-candidato e vereador da capital Tarcísio Motta (PSOL) no dia 10 de outubro, na intenção de prestar solidariedade ao parlamentar com relação à quebra da placa com o nome da vereadora Marielle Franco, promovida por dois correligionários seus. No dia 26 de outubro, Motta descreveu a ligação em sua página no Facebook, dizendo que Witzel afirmou que “não sabia que os candidatos a deputado do PSL mostrariam a placa quebrada com o nome da Marielle. Disse ainda que não concordava com violência e que, caso eleito, acompanharia as investigações com rigor e interesse”.

Contudo, o vereador fez críticas à atitude do então candidato ao governo do RJ: disse acreditar que a ligação não era um ato de solidariedade, mas sim de oportunismo. Motta afirmou que o governador usou o telefonema como forma de se defender durante debate: “Até agora [Wilson Witzel] não repudiou a violência contra a memória de Marielle, nem sequer pediu desculpas por ter se regozijado diante daquele ato abominável.”

Atualização às 11h28 do dia 01 de novembro de 2018: A assessoria do governador eleito reafirmou, em nota, que ele ligou para Tarcísio para se solidarizar.

“70% do nosso [do estado do Rio de Janeiro] PIB é de serviço. Comércio e serviço”. Wilson Witzel, governador eleito do Rio de Janeiro, em entrevista à Globonews no dia 30 de outubro de 2018

Segundo a Fundação Ceperj, em 2017, o setor de serviços, que inclui o comércio, respondia por 76% do PIB do estado do Rio de Janeiro. A indústria (incluindo construção civil e indústrias extrativistas, como petróleo) gerava 23,3% do PIB e a agricultura por 0,5%.

Reportagem: Chico Marés E Nathália Afonso. Edição: Natália Leal