Embaixada em Jerusalém: GSI confia na diplomacia contra retaliações

Mudança da representação brasileira em Israel pode desencadear conflitos com países árabes. Transferência será feita com cautela

Marcos Corrêa/PRMarcos Corrêa/PR

atualizado 03/01/2019 19:35

Responsável pela proteção do presidente, Jair Bolsonaro (PSL), o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) diz não estar preocupado com possíveis retaliações contra o Brasil quando a embaixada do país em Israel for transferida de Tel-Aviv para Jerusalém. Em entrevista coletiva, o ministro do GSI, general Augusto Heleno, declarou ter confiança na diplomacia nacional para evitar possíveis choques e ataques contra o território brasileiro.

A mudança da representação brasileira em Israel pode desencadear conflitos com países árabes. Jerusalém é considerada uma terra santa para diversas religiões. De acordo com Heleno, a transferência da embaixada para a cidade será feita com precaução.

“Não vai chegar a esse ponto. [A transferência] É um pensamento do presidente, por enquanto. Se acontecer, vai ser com precaução, mostrando à comunidade árabe que isso não é uma preocupação. Quem disse que a capital é Jerusalém foram os próprios israelenses. Estamos apenas cumprindo uma determinação deles. É como se nós obrigássemos todas as embaixadas a permanecerem no Rio de Janeiro após a inauguração de Brasília”, disse o general Heleno.

“Tem a questão política, mas isso será tratado de forma correta. A diplomacia brasileira sempre foi muito habilidosa. É famosa por sua extrema competência, habilidade em tratar assuntos como esses. Vamos continuar a fazer dessa maneira. Temos confiança na diplomacia brasileira e certeza de que não vamos sofrer nenhum efeito sobre isso”, completou. O ministro das Relações Exteriores do governo Bolsonaro é Ernesto Araújo.

As declarações de Heleno foram dadas após uma visita de Jair Bolsonaro às instalações do GSI na tarde desta quinta-feira (3/1). Segundo ele, o presidente conheceu parte das equipes responsáveis pelo monitoramento de suas atividades.

Rotina de proteção
“O objetivo [da visita] era para ele tomar conhecimento de como funciona a rotina de segurança, que às vezes incomoda um pouquinho. A autoridade tem que se acostumar com esse ritual, procedimentos padrões. É importante que ele compreenda a necessidade disso para a preservação da vida, evitar constrangimentos”, disse Heleno.

De acordo com o ministro do GSI, o excesso de segurança do presidente e de sua equipe mais próxima “faz parte do protocolo”. Na última terça (1º), dia da posse presidencial, foi montado o esquema de segurança mais rígido dos últimos anos para o evento. Segundo Heleno, apenas os filhos políticos do presidente não terão segurança diária atendida pelo GSI, como é o caso do vereador carioca Carlos Bolsonaro, do deputado federal Eduardo Bolsonaro e do senador eleito Flávio Bolsonaro.

“A segurança dos filhos, como são parlamentares, nós oficiamos às respectivas câmaras [e ao Senado] que assumam a segurança deles”, disse. Os filhos não políticos do presidente (Jair Renan, 20 anos, e Laura, 7) e a enteada de Bolsonaro (Letícia, de 19) serão protegidos pelo GSI.

Nesta quinta (3/1), durante a chegada de Bolsonaro às instalações do ministério, jornalistas foram impedidos de usar celulares. Profissionais de texto estavam em um hall acima da portaria do local. A justificativa de Heleno para a medida seria o risco de um aparelho “cair sobre a cabeça” do presidente.

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