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Uma relação amigável, sem intermediários, era mantida entre o empresário Joesley Batista e o então vice-presidente da República Michel Temer. O segundo termo da delação premiada do dono da JBS ao Ministério Público Federal é dedicada a explicar como os dois se conheceram e qual ligação havia entre eles.

Em seu depoimento, Joesley Batista é enfático. Diz ter conhecido Michel Temer há cinco ou seis anos, quando ele já era vice-presidente da República. A apresentação foi feita pelo então ministro da Agricultura Wagner Rossi, mas a dupla logo teria dispensado ajuda de interlocutores. “Ao longo desses cinco anos, eu mantive um relacionamento direto com ele, nunca teve intermediário. Ele me ligava, eu ligava para ele, ele me mandava mensagens”, detalhou.

Joesley também afirma ter feito várias visitas ao vice-presidente, nos escritórios de advocacia mantidos por Michel Temer e no Palácio do Jaburu. A relação só mudou quando Temer assumiu, há pouco mais de um ano, a Presidência da República. O empresário disse que, a partir daí, foi procurado pelo então ministro Geddel Vieira Lima, que já conhecia de longa data.

“Ele disse que a continuidade do contato com o presidente seria através dele, pelos motivos óbvios dos problemas de agenda [da Presidência]. Assim, as minhas demandas e as questões que eu necessitava no governo foram passadas [a Temer] através do Geddel, mas aí ele caiu. Até falei com ele mais algumas vezes até ele começar a ser investigado”, destacou o empresário.

Joesley contou aos promotores que, com essa mudança de cenário, passou a procurar o então assessor da Presidência e hoje deputado federal Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), para tentar um encontro com o presidente e descobrir quem seria seu novo interlocutor. O primeiro contato com Loures teria ocorrido em um café no lobby do Hotel Fasano, em São Paulo. “Eu não tinha intimidade, não sabia o que poderia conversar com ele, então repeti a história que precisava falar com o presidente para tratar das minhas questões”, resumiu o dono da JBS.

Essa primeira conversa teria ocorrido em um domingo. Dois dias depois, em uma noite de terça-feira, Joesley diz ter conseguido ir ao Jaburu conversar com Temer, que confirmou Rocha Loures como novo interlocutor. Foi nessa ocasião que o presidente teria confirmado ao empresário a necessidade de se manter pagamentos regulares ao ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, e ao operador do PMDB, Lúcio Funaro, que estão presos em decorrência das apurações da Operação Lava Jato.

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, acusa o presidente Michel Temer, no pedido de abertura de inquérito, de envolvimento em pelo menos três crimes: corrupção passiva, obstrução de Justiça e organização criminosa. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato, considerou consistentes os indícios apontados pelo PGR e autorizou investigação contra o chefe do Executivo.

 

Veja a íntegra do depoimento (declaração sobre relação direta até 8’52”):

 

 

 

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