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Conhecido por arquitetar, em 2013, a fuga do ex-senador boliviano Roger Pinto Molina de seu país, o diplomata Eduardo Saboia (à frente na foto em destaque) teve sua indicação para a Embaixada no Japão aprovada nesta quarta-feira (6/6) pela Comissão de Relações Exteriores do Senado, por 13 votos a 1. A indicação ainda precisa passar pelo plenário da Casa.

A coragem de Saboia foi ressaltada pelo senador José Agripino (DEM-RN) durante a sabatina realizada na manhã desta quarta. “Sua atitude foi de defesa da soberania nacional”, afirmou o parlamentar.

O diplomata era ministro-conselheiro da embaixada brasileira em La Paz quando, em 2012, Molina pediu asilo ao Brasil, alegando perseguição pelo regime de Evo Morales. A proteção foi concedida pelo governo brasileiro, mas o senador não obteve da Bolívia o salvo-conduto que lhe permitiria sair do país. Por isso, ele permaneceu 454 dias ocupando uma sala de quatro metros quadrados na Embaixada do Brasil.

A situação precária do senador foi repetidamente informada por Saboia a seus superiores em Brasília, mas nada ocorreu. Em agosto de 2013, com o risco de Molina cometer suicídio, o diplomata decidiu agir por conta própria.

Utilizando dois carros com placas diplomáticas, ele viajou com o senador até o Brasil. Na fronteira, o grupo foi resgatado por um avião que o senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES) tomou emprestado.

Após a operação, Molina passou a viver em Brasília, onde fez curso de pilotagem e passou a exercer a profissão. Ele morreu em agosto do ano passado, após cair com um avião nas proximidades de Luziânia (GO).

A fuga provocou a queda do então ministro das Relações Exteriores, Antonio de Aguiar Patriota. Saboia foi alvo de um inquérito administrativo e foi punido com suspensão de 20 dias por quebra de hierarquia.

Dividindo opiniões no Itamaraty, o diplomata passou a trabalhar na Comissão de Relações Exteriores do Senado, então presidida por Aloysio Nunes Ferreira. Nesse posto, ele participou de outro episódio de grande visibilidade: a tentativa fracassada de um grupo de senadores de visitar, na prisão em Caracas, o líder oposicionista Leopoldo López. A comitiva foi barrada na saída do aeroporto.

Com o fim do governo de Dilma Rousseff, Saboia foi promovido e tornou-se chefe de gabinete no Itamaraty com o ex-ministro José Serra e permaneceu na função quando este foi sucedido por Aloysio. Aprovado para servir no Japão, Saboia só pretende seguir para lá em 2019, para permanecer no gabinete até o final do governo.

Na sabatina, Saboia disse que uma prioridade à frente da Embaixada no Japão será o apoio à comunidade brasileira no país, mais especificamente os problemas da educação. Filhos de brasileiros emigragrantes acabam numa espécie de “limbo”, pois não conseguem acompanhar o sistema educacional japonês, mas tampouco têm domínio do português. Segundo Saboia, esse é um problema que tem solução, mas exigirá tempo e uma forte articulação com os governos locais.

O diplomata destacou também a necessidade de avançar na construção de um acordo comercial entre o Mercosul e o Japão. Ele informou que o volume de comércio com o Brasil recuou de US$ 17 bilhões anuais para US$ 9 bilhões em 2017, reflexo da crise econômica aqui e da estratégia japonesa de buscar novos acordos comerciais, que acabaram reduzindo o espaço de produtos brasileiros.

A pergunta mais frequente dos senadores foi sobre a tensão geopolítica na região, por causa do avanço da China e do desenvolvimento de armas nucleares pela Coreia do Norte. Saboia comentou que o Japão tem buscado um equilíbrio nas relações com a China. Se por um lado há tensão no campo político, por outro há um enorme volume de negócios entre empresas dos dois países. Segundo avaliou, uma coisa neutraliza a outra.

Já em relação à Coreia do Norte, ele acredita que o Japão “inevitavelmente” participará das negociações para a desmilitarização do país. Ele observou que, se o desenvolvimento de mísseis é motivo de preocupação dos Estados Unidos, mais ainda é para o Japão, que se encontra nas proximidades.