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O país vive a expectativa de ver confirmados os 22 primeiros nomes da equipe responsável pela transição entre o governo a assumir em 1º de janeiro de 2019, do recém-eleito chefe do Executivo nacional, Jair Bolsonaro (PSL), e o que sairá, do presidente Michel Temer (MDB). Nesta quinta-feira (1º/11), o Diário Oficial da União (DOU) publicará a lista dos escolhidos, que pode chegar, por lei, a 50 indicações.

A depender do que vem adiantando os principais assessores de Bolsonaro, o grupo terá perfil técnico. Inclusive, não é permitido aos integrantes o acúmulo de salários de outras atividades.

De acordo com o deputado federal Onyx Lorenzoni (DEM-RS), que assumiu as funções de coordenador da equipe de transição e foi confirmado como futuro ministro-chefe da Casa Civil do próximo governo, “os nomes que foram apresentados estão mais concentrados nas áreas econômica e de infraestrutura”.

Em reunião nessa quarta-feira (31/10) com o atual chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, Lorenzoni apresentou as indicações para serem divulgadas oficialmente no DOU. O parlamentar já adiantou que Jair Bolsonaro terá o primeiro encontro com o presidente Temer na próxima semana, em Brasília.

Na quarta, foram adiantados oito desses primeiros 22 nomes – todos da equipe que vai auxiliar, na transição, o superministro da Economia (pasta que unirá a Fazenda, o Planejamento e a Indústria e Comércio), o economista guru de Bolsonaro, Paulo Guedes. A maioria tem perfil acadêmico, desenvolvido em universidades estrangeiras.

Grupo de Brasília
Com base em informações ventiladas pelo chamado “grupo de Brasília”, que conta com a liderança dos generais da reserva Augusto Heleno e Oswaldo Ferreira – prováveis ministros da Defesa e da Infraestrutura, respectivamente –, uma lista de 25 nomes para integrar a equipe de transição foi entregue a Lorenzoni. São indicações para as áreas de saúde, segurança, infraestrutura, trabalho, meio ambiente, internacional, justiça e defesa.

Também ficou acertada a nova configuração da Esplanada dos Ministérios. As novas pastas resultam da fusão de umas e da extinção de outras: Casa Civil (assumindo funções do Governo); Economia (Fazenda, Planejamento e Indústria e Comércio Exterior); Defesa; Saúde; Ciência e Tecnologia (com ensino superior); Educação, Esportes e Cultura; Trabalho; Minas e Energia; Justiça e Segurança; Integração Nacional (com Cidades e Turismo) e Infraestrutura (englobando Transportes).

Reações
Mas nem tudo são flores nesta fase de transição entre gestões. Bolsonaro tem visto alguns desentendimentos dentro da equipe de auxiliares. Na terça (30), Paulo Guedes irritou-se com Onyx Lorenzoni devido ao fato de o parlamentar ter feito comentários acerca de política cambial e reforma da Previdência.

É um político falando de economia. É a mesma coisa do que eu sair falando de política. Não dá certo, né?"
Guedes sobre Lorenzoni

As propostas de fusões de pastas também têm dado dor de cabeça ao presidente recém-eleito. Críticas têm partido não só de integrantes da gestão Temer mas também de alguns setores da sociedade civil.

A ideia de fundir os ministérios da Agricultura (Mapa) e do Meio Ambiente (MMA), por exemplo, provocou a reação dos ministros que comandam as pastas atualmente. Blairo Maggi, à frente da Agricultura, reclamou: “Isso trará prejuízos ao agronegócio brasileiro, muito cobrado pelos países da Europa pela preservação do meio ambiente”.

Por sua vez, o ministro do Meio Ambiente, Edson Duarte, fez ressalvas. “O novo ministério que surgiria com a fusão do MMA e do Mapa teria dificuldades operacionais que poderiam resultar em danos para as duas agendas”, ponderou.

Não bateu o martelo
Não se sabe se essas reações, aliadas à preocupação colocada por algumas entidades ambientalistas, levaram dúvidas a Bolsonaro. Mas um de seus principais assessores, o dirigente da União Democrática Ruralista (UDR), o pecuarista Luiz Antônio Nabhan Garcia, revelou que o próximo chefe do Palácio do Planalto ainda não bateu o martelo a respeito da fusão dos ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente. “O presidente eleito ainda avalia com cautela a proposta”, informou Nabhan, que também foi cotado para assumir a pasta unificada.

Ainda nessa quarta (31), o ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, criticou a possibilidade de o MinC se fundir com o Ministério da Educação e pontuou que gostaria de ver a nova estrutura “espelhada em exemplos de países desenvolvidos”, ao citar o Reino Unido, onde a cultura se une a esporte e à mídia.

“A junção de Educação, Cultura e Esporte, por sua vez, tem um paradigma que não me parece adequado: Guiné-Bissau”, desdenhou Sá Leitão.

Setores da sociedade também não concordaram com o novo arranjo ministerial. Prefeitos divulgaram nessa quarta-feira nota contrária à extinção do Ministério das Cidades. As críticas à nova configuração foram iniciadas nessa terça (30) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), que se posicionou desfavorável à eliminação do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços.