Daniela Mercury e a esposa, Malu, são homenageadas em sessão na Câmara

Para a cantora, não existem argumentos que justifiquem a homofobia. Ela defendeu a luta, independentemente de quem esteja no poder

Michel Jesus/Câmara dos DeputadosMichel Jesus/Câmara dos Deputados

atualizado 24/06/2019 20:29

Ao receber homenagem na Câmara dos Deputados, nesta segunda-feira (24/06/2019), a cantora Daniela Mercury afirmou que é preciso lutar por igualdade de direitos independentemente de quem esteja no poder. O tributo ocorreu em uma sessão solene para lembrar os 50 anos da revolução de Stonewall, nos EUA, principal marco da luta por direitos de homossexuais em todo o mundo.

Daniela contou que sentiu ter perdido todos os direitos quando assumiu o relacionamento com a jornalista Malu Verçosa. “Eu era casada com homens e, quando casei com Malu, perdi todos os meus direitos. Vocês entendem a inversão? Que loucura. Como as pessoas não têm seus direitos básicos contemplados? Como, dentro de uma democracia, deixamos isso acontecer?”, questionou.

Malu pontuou constrangimentos diários que ainda passam. “São coisas pequenas, simples, que parecem inofensivas, mas que causam um profundo constrangimento à nossa família, à nossa comunidade LGBT.”

Para a cantora, “não existe argumento para homofobia“. Ela exaltou o caráter político das paradas do orgulho LGBT em todo o mundo. Nesse domingo (23/06/2019), Daniela se apresentou em São Paulo. “Não é fácil para nós, ativistas LGBTs, trabalharmos o ano inteiro, fazermos as coisas acontecerem. Precisamos de muitas rebeliões, muitos ‘Stonewalls’, esse movimento contínuo na sociedade, para que a democracia se efetive e equalize o direito de todos”, disse.

“Sou uma mulher maravilhosa, uma lésbica inteligentíssima, talentosa e de sucesso”, afirmou Daniela. Segundo ela, a sociedade deve desculpas por ter tratado a homossexualidade como “doença ou coisa errada, pecado”.

“É certo sim e eu sou muito feliz”, confirmou. “Que cada um comece a lutar para quebrar as paredes construídas pela sociedade, principalmente sobre o amor próprio. Nos marginalizaram e continuam a fazer isso à luz do dia, num país democrático. Vamos continuar a pressionar”, completou.

Emocionada, Daniela convidou os presentes a ficarem de pé e entoarem a música Canto Da Cidade.

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