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A Comissão de Ética Pública da Presidência da República analisa nesta segunda-feira (21/11) se abre ou não processo para investigar a conduta do ministro Geddel Vieira Lima. O ex-ministro da Cultura  Marcelo Calero disse que a sua saída do governo Temer teve como motivo principal a pressão que sofreu do titular da Secretaria de Governo para liberar um empreendimento imobiliário de alto luxo em Salvador, no qual Geddel tinha comprado um apartamento.

A Comissão de Ética Pública fiscaliza a aplicação do Código de Conduta da Alta Administração Federal. O colegiado não tem poder para punir nenhum servidor público. Porém, como é um órgão consultivo do presidente da República, pode recomendar ao chefe do Executivo sanções a integrantes do governo. A reunião começa às 8h30.

Calero pediu demissão do Ministério da Cultura na última sexta (18) e será substituído pelo deputado Roberto Freire (PPS-SP).

Geddel admitiu no sábado ter conversado com o agora ex-ministro da Cultura sobre o embargo do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) a uma obra da iniciativa privada na capital baiana, mas negou que tenha feito pressão. “Essa história está mal contada. Como justificar o pedido de demissão se ele foi prestigiado na posição dele? Ele poderia ter se sentido constrangido se tivesse sido forçado a tomar uma posição que não quisesse”, rebateu.

No centro da polêmica que teria custado o cargo ao ex-ministro da Cultura está um empreendimento de alto padrão, em um bairro nobre de Salvador, com unidades vendidas a partir de R$ 2,5 milhões.

Não por acaso, o prédio de 30 andares recebeu o nome de La Vue – vista, em francês. No site do empreendimento, a promessa é de vista total para a Baía de Todos os Santos, o que será prejudicado com a decisão do Iphan de não permitir prédios maiores do que 13 andares na região.

Top house
O prédio tem 24 apartamentos, um por andar. São 23 unidades de 259 metros quadrados, com quatro suítes e uma cobertura “top house” de 450 metros quadrados. Todas as unidades têm quatro vagas de garagem, além de vagas para visitantes.

As acusações de Calero contra Geddel também podem ser investigadas no Congresso Nacional. A oposição já está se movimentando para fechar o cerco em torno do ministro da Secretaria de Governo. No sábado, o deputado Jorge Solla (PT-BA) afirmou, por meio de nota, que iria apresentar nesta segunda à Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara um requerimento para convocar o ex-ministro da Cultura a prestar esclarecimentos sobre o episódio.

Geddel foi um dos principais articuladores políticos do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.

 

 

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