Câmara em dia de definição: conheça os candidatos à presidência

Reeleição de Maia já conta com 17 partidos: PSD, PRB, PSDB, Pros, PPS, Podemos, PSC, DEM, PSL, Avante, PDT, MDB, PP, PTB, PR, SD e PCdoB

Daniel Ferreira/MetrópolesDaniel Ferreira/Metrópoles

atualizado 01/02/2019 6:30

A eleição da nova composição da Mesa Diretora da Câmara dos Deputados, a ser realizada no primeiro dia de trabalho da nova legislatura, nesta sexta-feira (1º/2), deverá materializar a reeleição de Rodrigo Maia (DEM-RJ), “favoritaço” na disputa.

Salvo uma hecatombe de última hora, ele deverá contar com bem mais do que os 257 votos que precisa para se manter na cadeira de presidente. Dezessete partidos já declararam apoio a Maia: PSD, PRB, PSDB, Pros, PPS, Podemos, PSC, DEM, PSL, Avante, PDT, MDB, PP, PTB, PR, Solidariedade e, até, PCdoB, num total de 371 votos.

A votação é secreta, como determina o regimento interno do Parlamento, e foi referendada pelo ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), que indeferiu liminar do deputado eleito por São Paulo Kim Kataguiri (DEM) – o estreante insistia em voto aberto para a escolha do presidente da Casa.

Além do democrata, seis nomes devem disputar a presidência da Câmara: Fábio Ramalho (MDB-MG), Ricardo Barros (PP-PR), Marcel van Hattem (Novo-RS), JHC (PSB-AL), General Peternelli (PSL-SP) e Marcelo Freixo (PSol-RJ).

Luta inglória
A disputa é uma luta inglória para alguns, especificamente os parlamentares que não conseguiram o apoio de seus próprios colegas de legenda e vão concorrer à presidência de forma avulsa. Estão nessa situação Ramalho, Barros e Paternelli, cujos partidos declararam apoio a Maia.

JHC foi apresentado oficialmente pelo PSB. Hattem prega a renovação (tem o apoio de Kartaguiri, que desistiu de insistir em ser candidato – mesmo que sua idade, 22 anos, não permita) e Freixo, em seu primeiro mandato como deputado federal, quer marcar território.

Discreto na maior parte de sua campanha à reeleição, Maia foi bem mais explícito nessa quinta (31), durante a abertura do Encontro Parlamentar da 56ª Legislatura. Em discurso, fez campanha. “Estou aqui hoje para pedir esse apoio, o voto, para que, em conjunto, todos nós com pensamentos divergentes, possamos daqui a quatro anos ter representado bem essa expectativa e o sonho que vem hoje da sociedade brasileira e que vem lastreado pelo mandato de cada um de nós”, disse.

Para os demais cargos da Mesa Diretora, as maiores bancadas ou blocos têm direito a ocupar mais cadeiras, de forma proporcional ao número de parlamentares. Diferentemente da presidência da Câmara, em que pode haver candidaturas avulsas de qualquer partido, nos cargos da Mesa só podem concorrer à vaga candidatos indicados por suas legendas.

Conheça os nomes na disputa pela presidência da Câmara:

Rodrigo Maia (DEM-RJ)

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Presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) busca a reeleição

Maia conta com um amplo apoio partidário, o que poderá lhe render a vitória ainda no primeiro turno da disputa. Dezessete partidos já lhe declararam apoio: PSD, PRB, PSDB, Pros, PPS, Podemos, PSC, DEM, PSL, Avante, PDT, PCdoB, MDB, PP, PTB, PR e Solidariedade. Ao ser perguntado se está tranquilo com esse cenário, Maia respondeu que o importante é a relação pessoal com cada deputado.

“O apoio dos partidos é importante. É uma honra receber cada um dos apoios, a confiança de cada um, mas isso não garante nenhum voto. O que garante voto é a capacidade, minha, de, olhando no olho, pedir o voto e (mostrar) os motivos de votar em mim”, disse.

 

Fábio Ramalho (MDB-MG)

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Fábio Ramalho disputará de forma avulsa, já que seu partido, o MDB, está com Maia

 

Aos 57 anos, o deputado federal Fábio Ramalho se prepara para assumir o quarto mandato parlamentar. Atual vice-presidente da Câmara, ele integra a larga faixa de deputados conhecidos por “baixo clero”, formado por políticos que têm pouca influência no núcleo que concentra o poder decisório no Congresso Nacional.

“Hoje, nós temos uma panelinha de 20 pessoas [deputados] que frequenta a casa do Rodrigo [Maia], que tem algumas virtudes, mas deixa a desejar quando faz esse grupo pequeno. Outros 490 parlamentares não podem frequentar a casa”, diz o deputado mineiro. Ele disputará de forma avulsa.

 

Ricardo Barros (PP-PR)

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Ex-ministro da Saúde de Michel Temer, Ricardo Barros viu seu partido, o PP, migrar para Maia

 

Paranaense de Maringá, o ex-ministro da Saúde Ricardo Barros, 59 anos, inicia o sexto mandato na Câmara dos Deputados como postulante à presidência da Casa. Em sua trajetória, o parlamentar manteve relação estreita com todos os governos. Ex-colega do presidente Jair Bolsonaro (PSL) na Câmara, ele lança a sua campanha ao comando da Casa, sinalizando para o entendimento também com a atual administração federal.

“Sempre atuei dentro da visão de dar ao governante as condições de governabilidade”, declarou Barros em entrevista ao Metrópoles. Também disputará de forma avulsa.

 

Marcel van Hattem (Novo-RS)

Reprodução/Facebook
Van Hattem, novato na Câmara, prega o discurso de renovação

 

O deputado federal eleito Marcel van Hattem obteve nas urnas quase 350 mil votos, o melhor desempenho entre os concorrentes do Rio Grande do Sul. No primeiro mandato, com 33 anos, ele chega a Brasília com a ambição de presidir a Câmara dos Deputados. Em campanha para o comando da Casa Legislativa, van Hattem defende propostas contrárias ao sentimento de parte dos deputados. Uma de suas bandeiras atinge, diretamente, parlamentares que usam o mandato para se proteger da Justiça.

“O foro privilegiado precisa ser pautado aqui, e a minha opinião é de que ele deve ser extinto”, afirmou, em entrevista exclusiva ao Metrópoles. “É preciso pautar os temas que realmente importam ao cidadão e um deles é esse”, explicou.

 

JHC (PSB-AL)

Lançado pelo PSB, JHC inicia segundo mandato como deputado federal por Alagoas

 

João Henrique Caldas, o JHC, começará o seu segundo mandato como deputado federal por Alagoas. Aos 23 anos, foi eleito para seu primeiro cargo, o de deputado estadual em Alagoas. Hoje, tem 31 anos de idade. JHC é filho de um tradicional político alagoano, João Caldas – que cumpriu quatro mandatos como deputado federal.

Atualmente, o deputado ocupa a 3ª Secretaria da Mesa da Câmara – é ele que libera o reembolso das passagens aéreas internacionais dos colegas, além de analisar as justificativas de faltas. A bancada do PSB – partido do qual JHC faz parte desde 2015 – decidiu por unanimidade apresentá-lo como o candidato oficial do partido.

 

General Peternelli (PSL-SP)

Divulgação
General Peternelli é do PSL, partido do presidente Jair Bolsonaro, que preferiu compor com Maia

 

General de divisão da reserva, o deputado Roberto Sebastião Peternelli Júnior (PSL-SP) lançou-se à presidência da Câmara dos Deputados com a proposta de criar uma agenda “democrática”, na qual os deputados e a população votariam para determinar até 60% dos projetos que serão pautados pela presidência da Casa.

De acordo com o parlamentar, essa seria a forma de acabar com o chamado “baixo clero”. “Esse termo tem de acabar. Vinte parlamentares não podem decidir o tempo todo por 500”, afirmou. Peternelli, de 64 anos, foi o coordenador das candidaturas de militares das Forças Armadas nas eleições de 2018. Sua candidatura é avulsa.

 

Marcelo Freixo (PSol-RJ)

Reprodução/Twitter
Freixo conquistou seu primeiro mandato como deputado federal e entra na disputa pela Presidência

 

Nas eleições de 2018, Freixo conquistou seu primeiro mandato como deputado federal, sendo o segundo mais votado do Rio de Janeiro – teve 342.491 votos. Freixo cumpriu três mandatos consecutivos como deputado estadual pelo PSol fluminense – em 2014, foi o mais votado na disputa. Formado em história pela Universidade Federal Fluminense (UFF), Freixo trabalhou como consultor em direitos humanos e professor antes de conquistar seu primeiro cargo eletivo.

O deputado passou a ser conhecido nacionalmente graças à sua atuação como presidente da CPI das Milícias da Assembleia Legislativa do Rio e ao filme Tropa de Elite 2 (2010). Na ficção, o personagem Diogo Fraga contracena com o protagonista, policial do Bope – assim como Freixo, Fraga é professor de história antes de começar na vida pública.

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